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12 Agosto de 2020 | 17h41 - Actualizado em 12 Agosto de 2020 | 17h40

Centro turístico dos Bambús disputado em tribunal

Catumbela - O antigo centro turístico e zoológico dos Bambús está a ser alvo de disputa no Tribunal de Comarca do Lobito, num momento em que as autoridades da Catumbela tentam resgatar o património colectivo, sob a justificativa de devolver a história aos munícipes, soube hoje, quarta-feira, a Angop.

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Vista parcial da sede municipal da Catumbela

Foto: Antonio Escrivao

Parque zoológico de referência nacional, o centro dos Bambús esteve ao abandono durante anos, antes de supostamente ter sido entregue por um gestor público do município da Catumbela a uma pessoa singular, o que ditou a sua privatização.

Entretanto, em 1971, antes da independência, o local era um chamariz para o turismo na província de Benguela, visto que acolhia diversos animais selvagens, como leões, onças, girafas, macacos, lobos e jacarés.

Falando a propósito das acções de recuperação e preservação dos Bambús como acervo patrimonial, o administrador municipal da Catumbela, Fernando Belo, classifica de renhida a batalha que começou em Dezembro de 2019 na Sala do Cível do Tribunal de Comarca do Lobito, mas acredita na vitória da colectivadade, sem prejuízo a ninguém.

“O tribunal, por exemplo, discutiu que só era centro turístico”, conta Fernando Antunes Belo, ressaltando que, afinal, a memória colectiva na Catumbela reporta que havia animais nos Bambús.

Então, "validou" as reivindicações dos munícipes que querem o referido centro de volta à esfera colectiva “à moda antiga” e até concorda com a ideia da restauração do jardim e do parque zoológico, para criar um espaço de lazer, em especial para as crianças.

“Conheci os Bambús com 17 anos (…). Em 1999, quando pela primeira vez visitei o local, ainda encontrei jacarés e macacos”, lembrou, com indisfarçável nostalgia, o agora administrador da Catumbela, confiante de que a municipalidade vai sair a ganhar da disputa judicial, no intuito de resgatar o passado e “termos ali sempre os animais”.

Fernando Belo admite, por outro lado, que o caso “Bambús” junta-se, afinal, a outras batalhas judiciais, como a da Capracinha, embora tivesse assumido o objectivo de as vencer em nome da colectividade e, assim, reverter o historial de que a administração municipal da Catumbela “perdia muito em tribunal”.

Entre saudades e expectativas

Num misto de tristeza e indignação, o munícipe Beto Lourenço lembra dos Bambús como centro turístico de referência na Catumbela e que, além dos leões e macacos, também servia para bailes aos fins-de-semana.

“A administração municipal cometeu um erro. Aquilo ficou abandonado”, contesta e também aponta o dedo à construtora brasileira Odebrecht que entulhou a zona dos Bambús com terra não vegetal e “matou aquilo”, aquando das obras de requalificação da marginal do rio Catumbela.

Porém, frisou que a entidade privada já lá está há muito tempo a explorar um restaurante e o ideal seria uma negociação, a fim de que a administração faça, por exemplo, uma escola no local para as crianças.

Cátia Teixeira, conselheira do município, destaca o centro turístico e zoológico dos Bambús como um lugar que viu muitos catumbelenses a crescerem, desde os anos 70, mas avisa que ainda faltam algumas infra-estruturas na área do zoo para albergar os animais.  

Era difícil conhecer a Catumbela sem chegar aos Bambús. Quem o diz é o padre Paulino Koteca, pároco da Missão da Igreja Católica na Catumbela, que comunga da ideia de reaproveitar o local a favor das crianças, já que, a seu ver, a região não tem nenhum lugar de lazer para os petizes, ao contrário dos adultos que têm restaurantes, quiosques e lanchonetes à disposição.

Com uma “lágrima no canto do olho”, Francisco Gonga, pastor da Igreja Tocoísta na Catumbela, recorda: “Em 1971, quando cheguei aqui na Catumbela, a preocupação era de conhecer o leão (…). Quando atiravam algumas peças de carne, não caíam no chão, senão na boca do leão”.

Daí acreditar que, se o centro dos Bambús for reactivado, “fará com que as gerações vindouras tenham uma noção de que nos tempos remotos vimos o leão ao vivo nos Bambús”.

As diligências para recuperar os Bambús como património colectivo decorrem desde finais de 2019, no Tribunal de Comarca do Lobito, e visam devolver ao município da Catumbela a sua história, cultura e identidade, com o testemunho da municipalidade de que o local foi centro zoológico na Angola de outros tempos, para convencer o tribunal.


 

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