Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Economia

15 Janeiro de 2020 | 18h25 - Actualizado em 17 Janeiro de 2020 | 16h32

Lançamento de livro com soluções para combater informalidade

Luanda - A economista angolana Juliana Evangelista Ferraz lança, a 30 deste mês, o livro "O Poder da Economia Informal", obra científica que apresenta soluções para acelerar o processo de formalização da actividade económica no país.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Economista Juliana Evangelista Ferraz

Foto: Cedida pela fonte

A obra literária traz como propostas para debelar o problema, o cadastramento dos agentes informais, o seu licenciamento por actividade económica e o controlo eficaz do pequeno comércio.

No ensaio, a economista apresenta também como solução, a criação de um observatório sobre economia informal, redução significativa dos custos de constituição de empresa e da carga fiscal em empresas e microempresas, implementação de microseguros, entre outras medidas.

Entrevistada hoje pela Angop, a propósito das motivações do lançamento do livro, a economista afirmou que o sector informal em Angola representa cerca de 42% do total da economia, que em valor monetário ronda os 44 mil milhões de dólares americanos.

Justificou a existência de um nível excessivo de economia informal, que põe em causa o crescimento e o desenvolvimento económico nacional e, sobretudo, impacta negativamente na eficiência económica.

O Poder da Economia Informal é um trabalho de investigação desenvolvido ao longo de cinco anos e destina-se a académicos, profissionais, estudantes e outros leitores interessados em aprofundar conhecimentos relativos às questões fundamentais da economia informal.

A também directora do gabinete de auditoria interna do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) explicou que a iniciativa visa avaliar a real extensão do problema da informalidade em Angola e o seu impacto a nível económico e social, assim como mostrar o real papel do fenómeno da economia informal.

Explicou que o tema informalidade é normalmente incompreendido pelos vários sectores da sociedade, porque envolve um conjunto de aspectos que vão desde as infracções às normais estabelecidas, às iniciativas empreendedoras.

Outro aspecto que faz com que a sociedade tenha uma visão errada e incorrecta sobre economia informal, de acordo a autora, está relacionado com a dimensão excessiva do fenómeno no país, ou seja o número de pessoas, singulares e colectivas, que recorrem ao sector informal ou que dele dependem para sobreviver.

A autora disse o que o livro traz uma abordagem actual sobre a maneira como os poderes públicos devem lidar com a problemática do sector informal, de forma a calibrar a qualidade da decisão e reduzir significativamente a extensão do problema.

“Não basta formalizar. É necessário que se compreenda o fenómeno nas suas várias dimensões, que se acompanhe a sua evolução numa base regular, e que se usem as medidas adequadas em cada caso em particular”, alertou.

Referiu que 65% da população para sobreviver depende da economia informal, daí ser crucial que se acelere a implementação das medidas que estimulem a transição desta economia de subsistência para modelos de economia formal.

Ao fazer a caracterização da actividade comercial nacional, afirmou existir produtos produzidos no sector formal que são comercializados no sector informal - como, por exemplo, a venda de água de mesa, bebidas produzidas por empresas de referência - e os seus produtos são vendidos no mercado paralelo à margem das normas de regulação dos mercados.

Outro exemplo diz respeito à venda de medicamentos importados e vendidos em farmácias, e também distribuídos no mercado paralelo. No geral, as actividades informais são desenvolvidas na sua maioria por pessoas de baixo rendimento que actuam nos sectores do comércio, transporte, agricultura e outros.

Operam no sector informal, homens, mulheres, jovens e crianças que estão fora do sistema de ensino.

A respeito desses indicadores, Juliana Evangelista disse ser preocupante e torna-se imperativo a definição de políticas públicas para a resolução destes problemas, que em certos casos ferem os direitos humanos dos cidadãos.

Mais do que a criação de políticas, a economista defende a necessidade da criação de planos de acção para a implementação destas iniciativas de reconversão e reinserção social de crianças, jovens, mulheres e idosos, bem como de pessoas em idade activa de trabalho.

Para ela, a informalidade resulta da incapacidade da economia gerar um nível de eficiência económica que permita melhorar a combinação dos factores de produção e da incapacidade do estado em resolver problemas ligados às demandas sociais.

Explicou que existem poucas oportunidades de trabalho no sector formal, num contexto recessivo, porque a economia não cresce a um ritmo que permita reduzir significativamente o desemprego, daí que as pessoas recorrem ao trabalho informal para sobreviver.

Apesar de defender a redução da economia informal no país, reconhece ser  um mal necessário, em determinados aspectos, porque vem colmatar alguns problemas sociais.

Justificou que a economia informal  emprega um elevado número de pessoas e contribui para a redução dos níveis de pobreza extrema.

Perfil da economista

Juliana Evangelista Ferraz, doutorada em economia, é professora universitária, formadora da ENAPP e colaboradora da ANGOP, do Jornal de Economia e Finanças das Edições Novembro e da revista Figuras e Negócios.

Tem  experiência profissional nos sectores da Banca e Telecomunicações e actualmente é directora do gabinete de auditoria interna do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).


 

Assuntos Economia  

Leia também
  • 17/01/2020 16:57:12

    Inadec regista mais de 100 infracções em 2019

    Luena - Cento e 11 infracções de natureza económica foram registadas, de Janeiro a Dezembro de 2019, pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), mais 49 comparativamente ao igual período anterior, informou hoje, no Luena, o chefe dos serviços da instituição, Jacob Cachipa.

  • 17/01/2020 11:03:51

    Nigerianos com interesse em investir em Angola

    Luanda - Uma missão de empresários nigerianos manifestou, em Joanesburgo, África do Sul, o interesse de investir em Angola, nos vários ramos da actividade económica.

  • 16/01/2020 06:00:57

    CNEF e Inadec assinam acordo de cooperação

    Luanda - O Conselho Nacional de Estabilidade Financeira (CNEF) e o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Inadec) assinaram um protocolo de cooperação para a protecção e defesa dos consumidores de produtos e serviços financeiros.