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05 Dezembro de 2019 | 19h57 - Actualizado em 05 Dezembro de 2019 | 20h37

Banco atrasa concessão de crédito por incumprimento das empresas

Luanda - A insuficiência de requisitos, por parte de algumas empresas que concorrem ao Programa de Apoio ao Crédito (PAC), está a atrasar o processo de concessão de empréstimos bancários para alavancar a produção nacional e diminuir a importação de bens e serviços no país, soube esta quinta-feira a Angop.

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Director-geral da cooperativa Agro-promotora, João Macedo

Foto: Cedida

Empresários reflectem Programa de Apoio ao Crédito (PAC) em Workshop

Foto: Cedida

Para o Banco Angolano de Investimento (BAI), que hoje realizou um workshop, em Luanda, para potenciar os empresários ligados a agro-pecuária de conhecimentos adicionais relacionados com o PAC, as exigências em torno do “compliance” (boas práticas), contabilidade organizada e projectos bem elaborados constituem os principais entraves que está na base do atraso da concessão do crédito bancário às empresas.

Segundo o administrador executivo do BAI, José Castilho, os instrumentos de análise de risco de crédito do banco, a informação de qualidade prestada em termos de demonstrações financeiras, experiência de equipa de gestão, garantias, plano  de negócio e histórico bancários e jurídicos, também fazem parte dos requisitos exigidos para ter acesso ao empréstimo.

Sem avançar os montantes concedidos aos devedores, no quadro do PAC, José Castilho adiantou que o BAI já registou a entrada de mais de 30 projectos, que estão em fase de  avaliação e aprovação.

“Estamos preparados para a concessão de créditos, daí a nossa maior exigência de análise dos projectos, para que de facto não haja situações de incumprimento, que depois  acarretam em prejuízos para os bancos”, sublinhou.

Com foco nas pequenas e médias empresas (PME's), o BAI observa que muitas dessas empresas ainda não têm o nível de organização exigida, apesar de algumas já começarem a preparar-se melhor.

Fruto do rigor em torno da análise dos processos, os clientes entendem que existe muita informação a ser prestada, cuja mesma é importante para o banco, além de ser também exigida por Lei.

Clarificou que o BAI quer evitar e repetir os erros cometidos na implementação do Programa Angola Investe (PAI), que registou fracasso em alguns projectos mal sucedidos e, consequentemente, o surgimento de crédito malparado.

No âmbito do Programa de Apoio ao Crédito e dos compromissos assumidos, o BAI tem disponível 30 mil milhões de kwanzas, para financiar investidores que queiram produzir produtos definidos pelo Prodesi, que prevê o fomento da produção nacional de 54 produtos e redução dos níveis de importação no país.

O mesmo valor também está disponível nos bancos de Fomento de Angola (BFA) e o Banco Internacional de Comércio (BIC), para além de montantes de outras instituições bancárias financeiras que apoiam o PAC.

Outro requisito definido por lei, para beneficiar do crédito, é ter 10 por cento de capital próprio, em relação ao valor do empréstimo.

Modelo de acesso ao crédito no BAI

Para candidatar-se ao crédito, inicialmente o BAI fornece formulários físicos de pré-candidaturas para que os empresários concorrentes possam preencher as informações exigidas.

Após o preenchimento do formulário, o BAI vai inserir os dados disponibilizados num software, para no final se dar uma pontuação e depois averiguar se a empresa reúne condições ou não para avançar com o pedido de crédito.

“Muitas das vezes o que acontece é que, recebemos processos e depois de analisados observa-se que não estão completos”, observou, acrescentando que com estes formulários vão permitir melhor orientação do cliente e aos analistas desta instituição financeira.

Depois de observados os  requisitos, o banco estará em condições de avançar com o passo seguinte que é a recepção formal e análise dos processos físicos.

Sem custos para a sua aquisição, com os formulários de pré-candidatura ao crédito, o BAI  quer obter mais informação sobre as empresas que concorrem ao crédito.

Burocracia no processo

O director-geral da cooperativa Agromotora Angola, João Macedo, considerou existir excesso de burocracia no processo de concessão de crédito comercial para as empresas e cooperativas.

Como prova desta burocracia, o empresário aponta a existência de cinco entidades que estão envolvidas na concessão de crédito, tendo considerado elevado e desnecessário.

Com funções especificas, afirmou que o cliente na fase de candidatura é obrigado a recorrer aos serviços do Instituto Nacional de Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), ao Fundo de Investimento de Diversificação Económica (FIDE), ao banco comercial de sua escolha, ao Fundo de Garantia de Crédito (FGC) e o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

O processo, de acordo com João Macedo, envolve análise dos documentos, cuja decisão é comunicada ao BDA e ao cliente.

Efectuada a análise do processo em matéria de financiamento, dos juros e do prémio de seguro, pelo BDA, é assinado o contrato com o FIDE e o FGC, para depois seguir-se com o acompanhamento da implementação dos projectos, visitas e relatórios.

Assuntos Crédito   Economia  

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