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Caculo Cabaça começa gerar energia em 2024

16 Outubro de 2019 | 12h36 - Economia

Luanda - A primeira turbina de um total de quatro da barragem hidroeléctrica de Caculo Cabaça, em construção na província do Cuanza Norte, começa a produzir energia eléctrica a partir de 2024, anunciou o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.

  • Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges
  • Subestação do Huambo que interliga sistema norte (Laúca e Cambambe) com o centro do país
  • Transformador da Subestação do Huambo (arq)

Caculo Cabaça, com 103 metros de altura, será o maior complexo hidroeléctrico do país, com capacidade para gerar dois mil e 172 Megawatts, depois de Laúca, com dois mil e 70 MW.

A primeira pedra para a sua construção foi lançada em Agosto de 2017. Caculo Cabaça constitui o quarto projecto hidroeléctrico erguido no curso do Médio Kwanza, a seguir às barragens de Capanda e Laúca (Malanje), bem como de Cambambe (Cuanza Norte).

Com as três grandes barragens já exploração comercial (Cambambe, Laúca e Capanda), associada à Central de Ciclo Combinado do Soyo e a outros centros de produção, o país dispõe actualmente de uma capacidade instalada de cinco mil e 235 megawatts.

Neste momento, segundo o ministro, decorrem trabalhos de construção do túnel para o desvio do rio, em Caculo Cabaça, comuna do município da Banga. “O desvio do rio é fundamental para que possamos começar a construir a barragem”, sublinhou o ministro em entrevista terça-feira à ANGOP e à Televisão Pública de Angola (TPA).

João Baptista Borges disse estarem a decorrer agora discussões para que se possa garantir o financiamento dos equipamentos electromecânicos da barragem que serão fornecidos pela Alemanha.

Segundo o ministro, os trabalhos decorrem sem sobressaltos, do ponto de vista laboral, pois os problemas que existiam entre a entidade patronal e trabalhadores foram superados com a mediação do Ministério.

“Há um ambiente de diálogo entre empreiteiro e trabalhadores, estando o ministério a acompanhar e a facilitar o diálogo, e estamos optimistas em relação ao desenvolvimento desta obra”, disse.

No Plano de Desenvolvimento do sector, de acordo com o titular da pasta da Energia e Águas, Caculo Cabaça é um projecto estruturante muito importante, porque vai assegurar e cobrir as necessidades do país, cujo crescimento anual em termos de procura ronda os 12,5%/ano.

“Quero recordar aqui que temos um crescimento anual do consumo de energia de 12,5% ao ano. É muito. Estamos a falar que em oito anos o consumo duplica, e oito anos é o prazo de construção de empreendimento desta dimensão, então nós precisamos nos antecipar”, enfatizou.

Em função do aumento das necessidades do país, afirmou, a estratégia do sector é construir empreendimentos que ajudem a antecipar o crescimento da demanda, fazer com que a oferta esteja sempre acima da procura e não voltar aos défices crónicos e restrições que viviam em Luanda, por exemplo, que são desgastantes e causam insatisfação por parte da população.

Expansão de energia ao Leste

Para região leste do país, enfatizou que a aposta é reforçar a capacidade de produção de energia na Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico, por serem as províncias mais distantes do litoral e naturalmente as dificuldades no fornecimento de energia e água são maiores.

Na Lunda Norte, o Ministério está a concluir as obras de reabilitação e modernização da barragem de Luachimo, para que no segundo semestre de 2020 possa já produzir 34 MW, superior aos oito MW da capacidade instalada inicial.

Na Lunda Sul, está em conclusão duas centrais térmicas, com cerca de 40 MW, Nhama e Tchicumina, sendo que Tchicumina entra já em operação comercial nos próximos meses, para reduzir o défice na cidade de Saurimo. Neste momento decorrem os testes.

No Luena foi inaugurada, recentemente, uma central de 20 MW e com a central da barragem de Dala Chiumbue, está garantido o fornecimento à cidade do capital do Moxico. Neste momento a situação está estabilizada.

No Dundo (Lunda Norte), além de Luachimo, o sector está a instalar uma central de emergência, para cobrir o défice até que Luachimo entre em operação comercial e desta forma resolver o problema do Dundo.

Segundo o ministro, a outra preocupação tem a ver com o custo de produção nestas províncias, pois o uso de centrais térmicas é muito caro.

Por esta razão, disse ter sido aprovado um conjunto de projectos para construção de três parques solares, nas cidades deno Luena, Dundo e Saurimo, com capacidade para 20 MW, que vão permitrir reduzir o consumo de diesel e criar sistemas híbridos.

Com a redução do consumo de diesel, o sector vai naturalmente reduzir custos, até que a médio e longos prazos seja concluido, num horizonte entre seis e 10 anos, o projecto de interligação do sistema Leste com as barragens de Laúca, Capanda e Cambambe.

De acordo com o ministro, o cenário final e sustentável para as províncias do Leste será mesmo a construção de uma linha de muito alta tensão, a partir do sistema norte (barragens de Cambambe, Laúca, Capanda e a Central de Ciclo Combinado do Soyo).

Resultado dos investimentos feitos na produção,  transporte e distribuição, o sistema Norte (Cuanza Norte, Malanje, Zaire, Uige, Bengo, Cuanza Sul e Luanda) do país já se encontra interligado com o centro, que compreende as províncias de Benguela, Huambo e Bié.

O próximo passo será interligar com o sistema sul, que integra as províncias da Huíla, Cunene, Namibe e Cuando Cubango.

A província de Cabinda, por fazer parte do sistema isolado, poderá beneficiar da interligação a partir da barragem hidroeléctrica do Inga, na RDCongo.