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19 Fevereiro de 2018 | 17h13 - Actualizado em 19 Fevereiro de 2018 | 17h12

Camarões: História da crise nas regiões anglófonas

Yaoundé - A crise anglófona que actualmente agita os Camarões tem a sua origem na movimentada história política daquele país da África Central, antiga colónia alemã dividida depois da primeira guerra mundial, entre franceses e britânicos.

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Mapa das Repúbicas dos Camarões e República Centro-Africana

Foto: Angop

Depois da derrota da Alemanha, em 1918, a Sociedade das Nações (SDN) entregou os quatro quintos do Kamerun à tutela da França, e a parte ocidental, fronteiriça com a Nigéria, à Grã-bretanha.

A 01 de Janeiro de 1960, os Camarões alcançaram a sua independência.

Um ano depois, o Norte dos Camarões sob a tutela britânica e maioritariamente muçulmano pronunciou-se pela sua integração na Nigéria.

A outra parte, o Sul dos Camarões, optou pela sua integração aos Camarões francófono. Ambas as entidades formaram uma República Federal, a partir do dia 01 de Outubro de 1961.

Em 1972, um referendo eliminou o federalismo. Os dois Estados federados desapareceram, dando origem a um Estado, e uma Assembleia Nacional.

O país tem mais francófonos, por isso, os Camarões são actualmente compostos por 10 regiões, das quais duas maioritariamente anglófonas, mormente o Noroeste cuja capital é Bamenda, e o Sudoeste que tem como capital a cidade Buea.

Os anglófonos representam cerca de 20% dos 23 milhões de habitantes.

Regularmente as autoridades exaltam a realidade do bilinguismo, com a abertura de escolas bilingue, inglês e francês. O país é, ao mesmo tempo, membro da Francofonia e da Commonwealth.

Não obstante isso, muitos anglófonos se consideram marginalizados ou mesmo discriminados pela maioria francófona e denunciam uma partilha não equitativa da riqueza nacional.

Na televisão estatal, CRTV, certas edições do jornal televisivo alternam entre o inglês e o francês, mas, globalmente o francês domina nos programas da cadeia.

Os anglófonos lamentam também não beneficiarem do dinheiro dos recursos explorados na sua terra, a começar pelo petróleo.

Situada em Limbé (Sudoeste anglófono), no entanto a companhia petrolífera a SONARA é sempre dirigida por um francófono.

Nos anos 90, as reivindicações anglófonas multiplicaram-se em prol de um referendo de independência e, em 2001, no 40º aniversário da unificação é marcado por manifestações proibidas que degeneram, e que resultam na morte de várias pessoas e na prisão de líderes.

As actuais tensões iniciaram em Novembro de 2016 com as principais reivindicações dos professores, deplorando a nomeação de francófonos nas regiões anglófonas ou de juristas que rejeitam a supremacia do direito romano em detrimento da Common Law anglo-saxónica.

Na sua maioria, os líderes da contestação exigem um regresso ao federalismo e, para uma minoria, a independência e a proclamação de um novo Estado que chama Ambazonia.

O governo dirigido pelo Presidente Paul Biya e o seu Primeiro-ministro anglófono não aceitam as duas reivindicações.

Em Janeiro de 2017, vários líderes anglófonos foram presos e acusados de  "actos de terrorismo". As acusações que lhes são feitas foram anuladas, em Agosto de 2017, pelo Presidente Biya.

A 01 de Outubro, pelo menos 17 pessoas foram mortas à margem da proclamação simbólica da independência, pelos separatistas.

"Já não somos escravos dos separatistas dos Camarões”, declarou o auto-proclamado “presidente” da Ambazonia, Sisiku Ayuk Tabe.

No fim de 2017, os ataques contra as forças de segurança multiplicaram-se, enquanto os separatistas acusam o governo de ter “militarizado” as regiões anglófonas.

No entanto, mais de 30 mil pessoas fugiram para a Nigéria, nos últimos meses.

No início de Janeiro de 2017, Sisiku Ayuk Tabe e uma larga parte dos seus chefes foi presa na capital nigeriana, Abuja.

No dia 26 de Janeiro último, a Nigéria extraditou 47 separatistas anglófonos, entre os quais Sisiku Ayuk Tabe, causando novos ataques dirigidos contra as representações do Estado camaronês.

Aos 84 anos, dos quais 35 no poder, Paul Biya poderá ser candidato a um sétimo mandato, durante a eleição presidencial prevista para o fim do corrente ano.

O principal partido da oposição, o partido anglófono da Frente Social-Democrata (SDF), já anunciou que vai participar nas eleições, mas desconhece-se se o seu líder, Ni John Fru Ndi, vai desafiar Paul Bia, como o fez nas três últimas vezes.

Assuntos Camarões  

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