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Passageiros exigem melhorias nos autocarros

13 Janeiro de 2018 | 08h51 - Transporte

Luanda - Correria, empurrões e desconforto são três dos principais problemas que marcam, diariamente, a rotina dos utentes de transportes públicos em Luanda.

  • Utilizadores de Transportes Públicos

(Por Liliana Constantino) 

A cada manhã, ou ao final do dia, milhares de trabalhadores e estudantes sem meio de transporte próprio enfrentam um clima de "angústia" nas paragens de autocarros, comboios e táxis.

É nesses pontos da cidade capital onde começa a dura e agitada jornada, circulando em transportes lotados, escassos e, em muitos casos até, em mau estado técnico.

O serviço de transportes colectivos em Luanda é feito maioritamente por meio de autocarros e comboios, que levam milhares de passageiros que se adaptam a condições extremas.

Há mais de cinco anos, o mercado dos transportes públicos urbanos vem sendo servido pelas operadoras MACON, TURA, SGO, ANGOSTRAL e TCUL.

Dessas empresas, apenas a TCUL é pública e, como tal, sente a maior pressão dos passageiros, que exigem melhorias substanciais nos serviços prestados. Tem uma frota superior a 300 veículos.

Em Julho de 2017, reforçou a sua frota com 240 novos autocarros, entregues pelo Ministério dos Transportes, dos quais 14 destinados para serviço urbano, 40 mini-autocarros para serviço urbano local, 30 para serviço de aluguer e 2 para o serviço interprovincial.

Com a entrada em funcionamento desses 240 novos veículos, a TCUL previa transportar pelo menos 192 mil passageiros/dia, perfazendo uma média mensal de cinco mil e 760 passageiros, num total de 69 milhões, 92 mil e 199 passageiros/ano.

Apesar de grande parte dos passageiros circular pelos serviços de transportes públicos, os táxis têm sido uma grande alternativa para os cidadãos trabalhadores e estudantes.

Todavia, apesar da sua componente privada, oferecem os mesmos constrangimentos enfrentados nos autocarros e comboios em serviço na cidade de Luanda.

"Posso dizer que 80 porcento do estado técnico das viaturas é precário. Alguns autocarros não têm higiene a 100 porcento, nem o acento completo. Na maior parte, as portas não fecham por si completamente", lamenta o passageiro Hamilton Morais.

Ao começo da manhã e ao cair da tarde, milhares de passageiros tomam de assalto as paragens de autocarros, comboios e táxis, com destinos e compromissos distintos.

Mas nessa encruzilhada, um problema continua a afectá-los em comum: a superlotação.

"Os meios de transportes públicos em Luanda têm muita enchente. Os cobradores pretendem lotar ao máximo os meios... Os transportes públicos não têm qualidade", comenta o utente Adelino Cassonga.

O mesmo ponto de vista tem a passageira Zinha Madureira, que aponta a superlotação como um problema a ser levado mais a sério pelas autoridades do país.

"É verdade! O autocarro está sempre cheio, as estradas não estão boas. O problema que está aqui do autocarro é este: fica muito cheio. O Governo tem que colocar mais autocarros na estrada", desabafa.

A vida dos passageiros de autocarros, comboios e táxis é um autêntico bico-de-obra. O martírio começa ainda antes de entrar na fila de espera.

Fora do autocarro, já os meios de transporte ficam sem lugar para os potenciais ocupantes, situação que leva os passageiros à frustração e saturação.

"Há um número estipulado para as pessoas que podem sentar e algumas que podiam ficar de pé para o autocarro não ficar assim muito cheio. Mas eles superlotam. Numa viagem que fazemos daqui do Largo das Escolas até a Luanda Sul é um “deus nos acuda", lamenta Hamilton Morais.

Na mesma senda, Elizandro Monteiro lamenta a situação por que passam diariamente. "Fica muito cheio e não tem espaço para todos, mas apertamo-nos mesmo assim".

Viagens perigosas


A viagem dos passageiros nos autocarros é feita de baixo de muitos perigos. A integridade física dos clientes é quase sempre posta em causa.

O passageiro Frede Alves afirma que o excesso de lotação leva os autocarros a circular de forma mais lenta, o que leva os motoristas a acelerar mais.

"No excesso de lotação, o autocarro fica lento e eles querem estar sempre a pressionar o acelerador. Isso por vezes causa certa atrapalhação por parte das pessoas, porque tem pessoas que na lotação ficam ao lado do motorista e podem atrapalhar-lhe de um certo modo e acontecer o inesperado".

De acordo com a passageira Zinha Madureira, o ambiente no interior dos autocarros e comboios fica comprometido pelo excesso de lotação, daí o calor poder sufocar alguns passageiros.

 
"Quando o autocarro está muito cheio, então também há mais calor. Pessoas houve, há pouco tempo, que desceram para ir trabalhar, mas todas a transpirar. Os constantes abanões e apertos chateiam", desabafa a cidadã.

Para quem não tem outra alternativa, a solução é aguentar-se de pé, apoiado na barra.

Tem sido assim com a passageira Zinha Madureira, que sugere o aumento dos autocarros em Luanda, para diminuir a pressão e o sacrifício dos passageiros.

"Se aumentassem o número de autocarros, o excesso de lotação poderia diminuir. Há muita gente nos autocarros", expressa.

Além da superlotação, um outro problema compromete a vida dos passageiros de autocarros em Luanda: a falta de bancos nas paragens.

Hamilton Morais, passageiro regular de autocarros, lamenta as condições precárias que encontra nas paragens, sempre que busca pelos serviços das operadoras.

"As paragens nem estão sempre em boas condições. Não há um lugar para nós nos abrigarmos do sol, da chuva. Não temos um sítio apropriado para sentar. Onde nós sentamos há sempre senhoras a vender, a fazer muita lixeira. Estamos num lugar precário... mas temos mesmo que esperar", desabafa.

O passageiro Elizandro Monteiro confirma o mesmo calvário. "Isso acontece. Da vez que viajei de autocarro, isso ocorreu. Não há cadeiras para as pessoas sentarem".

Concórdia no interior

No meio de tantas críticas e reparos, os passageiros apontam um aspecto que consideram positivo nos serviços de transportes colectivos em Luanda.

Apesar do "número reduzido de autocarros", não ficam mais do que uma hora nas paragens à espera. Hamilton Morais assegura que o tempo de espera varia de 15 a 30 minutos, ou uma hora, no máximo.

A viagem de autocarro custa 50 kwanzas e a de táxi, vulgo candongueiro, 150. Assim, os autocarros têm sido os meios mais procurados por quem deseja deslocar-se de um lugar para outro.

Os passageiros estão cientes da importância desses meios para a sua mobilidade durante o dia e até pela noite. Por esse facto, pedem maior reflexão sobre os preços praticados pelas operadoras dos autocarros.

"Os autocarros ajudam. O preço do táxi é 150 e do autocarro 50 kwanzas. Há pessoas que não têm possibilidades de apanhar táxis toda a hora e optam pelo autocarro”, expressa Zinha Madureira.

Os transportes públicos em Luanda são um ponto de encontros e trocas de ideias. Apesar das limitações, aproximam os passageiros e selam algumas amizades.

"Sim, nos transportes públicos, cada pessoa sobe com conversas próprias", refere a utente Adelino Cassonga, posição partilhada por Mauro Arsénio, embora aponte alguns maus comportamentos.

"Há pessoas que não respeitam as outras pessoas. Chegam, falam do jeito que querem, em voz alta, sem se importar com ninguém", lamenta o cidadão.

 
A nível dos serviços de táxis, o cenário é o mesmo, segundo o taxista António Guanxi.
"No meu táxi, há muitas conversas sobre o quotidiano", comenta. 

Em relação aos táxis, conhecidos como candongueiros, a população reclama das vias curtas que estes fazem e da subida de preços de forma anárquica.

É assim que milhares de adultos, jovens e adolescentes seguem por Luanda, esperançados em dias melhores e num serviço de transportes mais eficiente.

Como contribuintes do Estado, os passageiros clamam pelo aumento de autocarros e táxis, para facilitar a mobilidade e reduzir o stress numa cidade cada vez mais agitada.