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Covid-19: Luanda precisa de mais 20 mil efectivos da PN

30 Junho de 2020 | 00h53 - Sociedade

Luanda - A Polícia Nacional (PN) precisa de mais 20 mil efectivos para garantir em pleno a manutenção da ordem e segurança públicas na província de Luanda, capital do país, em função do número de habitantes, calculado em mais de 10 milhões.

  • Efectivos da polícia Nacional

Actualmente a segurança pública da cidade mais populosa do país é assegurada por 20 mil agentes policiais, estando aquém do desejado, face ao incremento da densidade população.

Ao fazer o balanço das actividades desenvolvidas pelas forças da ordem no período de 26 de Maio a 25 Junho, no quadro do Estado de Calamidade Pública, o porta-voz do Ministério do Interior, Waldemar José, disse que o ingresso de mais agentes às fileiras da PN carece de verbas.

“É público que 93 por cento do orçamento do MININT serve apenas para salários. Não é que não haja vontade do Executivo. A verdade é que não há verbas para pagar salários a outros agentes que seriam recrutados”, disse o oficial da PN.

Nesta fase da Situação de Calamidade Pública, argumentou, parte do efectivo trabalha na orientação do cumprimento das medidas contra a covid-19, enquanto outro grupo se encarrega da sua actividade de origem, à manutenção da ordem e segurança pública.

Com base na escassez de pessoal, Waldemar José solicita apoio e ajuda da população para o auto-cumprimento das medidas tendentes a cortar a cadeira de transmissão da covid-19 entre as famílias angolanas, evitando realização de festas.

Na ocasião, referiu que neste período as autoridades encerram 146 estabelecimentos de diversão nocturna no país no último mês.

Salientou haver muitos incumprimentos por parte da população, exemplificando o caso de um grupo de jovens moradores da cidade do Kilamba que promoveu um convívio festivo público, com música alta e consumo de bebida alcoólicas.

Apercebendo-se da situação, os efectivos da PN acorreram ao local e apreenderam a serpentina. Indignado, o grupo de jovens foi até à esquadra para "resgatar" a serpentina, sem se importar com o bem maior – vida.

Como estes, disse, há outros 202 cidadãos que violaram a cerca sanitária imposta em Luanda, da qual diariamente um camião transporta uma pessoa, o que resultou na detenção de três mil pessoas por desobediência, violação ao cerco sanitário nacional, desacato ou resistência.

Walemar José anunciou ainda o reforço das fronteiras entre Luanda-Bengo-Cuanza-Norte e Luanda-Cuanza Sul, apesar de admitir que todos os dias “as pessoas criam novos caminhos nas matas e vão ao seu destino, esquecendo-se que podem estar a transportar a doença para lá”.

Estatística operacional de 26 de Maio a 25 de Junho

Acções de sensibilização: 130 mil 377

Acções de persuasão: 32 mil 356

Barreiras de transito: Dez mil

Em relação à cerca de Luanda , adiantou que nesse período se registou a entrada de 28 mil 817 viaturas, transportando medicamentos e bens alimentares, e a saída de 23 mil viaturas para iguais propósitos.

Sublinou que foram igualmente encerrados estabelecimentos de diversão nocturna (146); interditas 107 actividades desportivas colectivas; encerrados 642 mercados de venda ambulante; proibidas 17 actividades religiosas e interditas 11 cerimónias fúnebres por excesso de pessoas.

Waldemar José adiantou que neste período foram iguamente desfeitos 60 aglomerados de pessoas em festas e/ou em actividades culturais.

Quanto à detenções, explicou terem ocorridas três mil 529, entre 658 por desobediência, 466 por violação da cerca sanitária nacional, 202 por violação da cerca sanitária provincial, sete por corrupção a agentes da autoridade, 234 por desacato ou resistência e 1962 por violação de fronteira.

No referido período, discreveu, apreendeu-se cinco mil e 355 veículos motorizados, sendo mil e 305 viaturas por excesso de lotação, 4.050 motorizadas por exercício de moto-táxis, assim como realizou-se 88 julgamentos sumários.

A Polícia de Guarda Fronteira registou 561 violação à fronteira, sendo 430 por entrada ilegal frustrada, 103 por saída ilegal frustrada, dois por garimpo ilegal, 24 contrabando de combustível e 22 imigração legal.

Por fim, informou terem retornado às origens 2.305 cidadãos estrangeiros, entre mil e 960 da República Democrática do Congo (RDC) e três mil e 200 namibianos, assim como 25 zambianos. Apreendeu-se ainda 53 mil e 262 litros de combustível.