Angop - Agência de Notícias Angola Press

Sociedade lamenta morte de Amélia Mingas

13 Agosto de 2019 | 17h48 - Sociedade

Luanda - Várias personalidades ligadas à política e às letras manifestaram, nesta terça-feira, consternação pela morte da linguista angolana Amélia Mingas.

  • Amélia Mingas faleceu, vítima de doença (arquivo)

A antiga docente universitária faleceu segunda-feira, numa unidade hospitalar, em Luanda, vítima de doença.

Na sua conta do twiter, o ministro da Comunicação Social, João Melo, considerou que morreu mais uma angolana de mérito.

O governante destacou a luta de Amélia Mingas pela conquista da independência nacional e os seus feitos enquanto linguista, professora e primeira directora do Instituto Internacional de Língua Portuguesa.

“Como os seus irmãos, também cantava - e bem. Como amigo da família, com quem muito aprendi, estou triste”, referiu.

Entretanto, numa nota de condolências, o ministro escreveu que, com a morte de Amélia Mingas, Angola perde uma grande profissional, particularmente a UAN, onde foi a primeira decana da Faculdade de Letras.

Já o escritor e jornalista José Luís Mendonça escreveu, num texto no Jornal de Angola, que a notícia da morte de Amélia, aos 75 anos, provocou consternação.

Referiu que o país perdeu uma mulher de trato afável e alma altruísta, que cativava pelo seu sorriso sempre aberto.

“Se um dia viermos a publicar o Livro de Ouro da Mulher Angolana, um dos nomes a incluir terá de ser o de Amélia Mingas”, escreveu José Luís Mendonça.

Por seu turno, o jornalista e docente Alberto Cafussa, no texto publicado na sua conta do Facebook, referiu que se perdeu uma acérrima defensora da verticalidade das línguas nacionais perante o português. 

Alberto Cafussa afirmou que a linguista angolana defendeu sempre o reconhecimento da contribuição das línguas africanas no enriquecimento do léxico português como condição para adesão do país ao acordo ortográfico.

“Para ela, o critério quantitativo (número de falantes), adoptado no acordo ortográfico constitui uma autêntica subserviência de uma maioria qualitativa ao brasileirismo, ignorando todo um processo intenso de interculturalidade de séculos entre África, América e Europa”, referiu.

Nascida em Luanda na rua do Carmo, na Ingombota, em Luanda, em 1946, Amélia Mingas fez a instrução primária na escola 08 e os estudos secundários nos liceus Paulo Dias de Novais e Salvador Correia.

Licenciou-se em Filologia Germânica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e doutorou-se em Linguística Geral e Aplicada pela Universidade René Descartes de Paris.

Professora do ensino secundário em Angola, exerceu as funções de coordenadora de Língua Portuguesa do Instituto Médio de Educação. Foi coordenadora do Departamento de Língua Portuguesa do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED-Luanda) e directora do Instituto Nacional de Língua do Ministério da Cultura.

Amélia Mingas foi responsável pela cadeira de Linguística Bantu na Universidade António Agostinho Neto.

Entre 2006 e 2010, Amélia Mingas foi directora executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, com sede na cidade da Praia, em Cabo Verde, tendo defendido o estabelecimento de uma política linguística comum aos oitos Estados que têm o português como língua oficial.

Participou em vários seminários e palestras ligado à problemática das línguas africanas e portuguesa, no interior e exterior do país. Publicou “Interferência do Kimbundu no Português falado em Luanda”.

A malograda faz parte de uma família de influentes músicos angolano. Do seu tio Liceu Viera Dias recebeu o ritmo e uma nova maneira de interpretar a música angolana. Ao irmão mais velho, Rui Mingas, ajudou a desenvolver uma sonoridade própria, e influenciou o irmão mais novo, o também já falecido André Mingas.