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Capolo eleva habilidades técnicas de reclusos

19 Novembro de 2019 | 19h29 - Sociedade

Cuito - A Unidade Prisional do Capolo, ex-Colónia Penal do Bié, destaca-se pelo empenho na reabilitação e consequente superação das habilidades técnicas e profissionais dos reclusos.

  • Pães feitos por presidiários do Capolo
  • Fachada da cadeia do Capolo
  • População penal da cadeia do Capolo
  • Prisioneiros da cadeia do Capolo em convívio com menores de Chicala

(Por Leonardo Castro)

O objectivo é tornar a penitenciária num local de total arrependimento, assimilação e aquisição de valores nobres, capazes de contribuir para uma completa reabilitação dos reclusos.

A população penal do Capolo, toda com pena acima dos 10 anos, por crimes comuns, é ocupada na produção agrícola, escolarização e aprendizagem de artes e ofícios.

Apesar de grande parte da sua alimentação ser fornecida pelo Estado, este órgão do Ministério do Interior (presídio) preparou para o presente ano agrícola 2019/2020, com auxílio dos próprios reclusos, 52 hectares para colher cem toneladas de produtos.

Até Junho próximo estão previstas as colheitas de milho, feijão, mandioca, melancia, soja, massambala, grão-de-bico, hortaliças e maracujá, para garantir alimentação da população carcerária.

Os presos confeccionam cinco mil pães por semana, alimento que serve igualmente para fornecer a outros 740 reclusos, entre detidos e condenados na cadeia da Comarca do Cuito. 

Há também um grande interesse em humanizar os serviços prisionais nesta unidade. Prova disto é o constante convívio entre os reclusos e os habitantes das localidades circunvizinhas à comuna.  

Os 300 reclusos partilham a sua vida de forma directa com os habitantes das localidades da comuna da Chicala. Além de estudarem nas mesmas salas de aula com alunos das aldeias próximas, na unidade prisional, os presidiários trocam experiências no ramo da música, poesia e outras artes.

Um recluso da Unidade Penal de Capolo ministra simultaneamente aulas da língua inglesa a trinta condenados e a aldeões.

A propósito da atribuição de tarefas aos reclusos, o director provincial dos Serviços Penitenciários do Bié, subcomissário Pascoal Paulo Maria Borges, refere que a ideia resulta das estratégias do sector, para que estes cidadãos, embora presos, possam prestar serviços úteis à sociedade.

Esta medida mereceu elogios do sociólogo Nelson Cacungula, considerando-a adequada por dotar os reclusos de ferramentas essenciais para a sua reinserção na vida activa depois do cumprimento da pena.

Por sua vez, o pastor da Igreja Evangélica dos Irmãos em Angola (IEIA), Hermenegildo Pinto, destacou o papel das igrejas, como parceiras privilegiadas da direcção do estabelecimento prisional, no fomento da mudança de atitude dos presos, através da promoção do arrependimento, perdão e amor.

Chamou atenção para o facto de a reabilitação e ressocialização dos reclusos requerer, além de infraestruturas adequadas, uma assistência social multidisciplinar que acompanhe o indivíduo durante e depois do cumprimento da pena.

Historial

A cadeia do Capolo, antes Colónia Penal do Bié, foi fundada entre os anos 1957/58 (construída em 1950) pela PIDE/DGS, Polícia Política, na comuna da Chicala, a mais de 62 quilómetros do Cuito.

Albergou muitos presos políticos das colónias portuguesas, entre as quais a de Angola, com Agostinho Mendes de Carvalho, Adriano João Batista ou Adriano Sebastião Kiwima” e Joaquim Kapango, este último dá nome à actual Rua Principal do Cuito e ao Aeroporto “Joaquim Kapango”, na mesma cidade.

Por causa da sua estratégia política, na altura servia de vazão à superlotação que se registava na colónia penal de Terrafal em Cabo Verde.

No seu perímetro, havia um aeródromo que permitia a aterragem de avionetas que transportavam prisioneiros de outras colónias portuguesas.

Uma das histórias da cadeia do Capolo é a existência de um tanque com água, onde os corpos de condenados a longas penas eram depositados até a decomposição, depois de executados pela  pela PIDE/DGS.

A província do Bié, com um milhão 455 mil 255 habitantes, distribuídos em nove municípios, tem controlado mil e 30 presos, que cumprem pena, na sua maior parte, na cadeia da Comarca do Cuito.