Angop - Agência de Notícias Angola Press

Centro de Hemodiálise da Huíla aumenta turnos

24 Julho de 2020 | 22h27 - Saúde

Lubango - A completar um ano de existência neste sábado (25), o Centro de Hemodiálise do Lubango, gerido pelo Hospital Central, acresceu mais um turno, alargando a capacidade de atendimento para 75 cadeiras por sessões de diárias de diálise.

  • Directora-geral do hospital, Lina Antunes
  • Januário Mande, paciente do Centro de hemodiálise do Lubango
  • Bernardeth Sebastião, paciente do Centro de hemodiálise do Lubango

Foi o primeiro centro público, inaugurado há um ano pela ministra Sílvia Lutucuta, e começou a receber os primeiros 40 pacientes um mês depois.

Actualmente controla 84 doentes com insuficiência renal crónica e cinco com aguda, provenientes das províncias da Cunene, Namibe, Cuando Cubango, Benguela, Huambo, Cuanza Sul, Bié, incluindo da Huíla.

Em declarações à Angop, no Lubango, a propósito do primeiro ano de existência, a directora-geral do hospital, Maria Lina Antunes, afirmou que o  turno ainda tem pouca adesão de pacientes, mas já está funcional com o reforço de mais quatro enfermeiros para auxiliarem o serviço.

“Com o número de cadeiras agora disponíveis, com os três turnos, penso que nos próximos dois anos não precisamos de aumentar a capacidade. Desta forma garantimos  uma perspectiva de vida diferente para esses doentes, que dependem exclusivamente do transplante, que ainda não se faz no país”, disse.

Destacou ter sido uma “vitória”  com recursos humanos que nunca tinham feito o serviço, mas foram acompanhados por uma supervisora especialista e conseguiram dar bons resultados até ao momento, assim como a recepção de um autocarro para apoiar os pacientes.

Conforme a responsável,  outro ganho é  o facto de não terem défice de suplementos, pois o centro teve os kits necessários para manter o tratamento, os medicamentos para fornecer regularmente aos pacientes, a água com qualidade, um sistema eléctrico a funcional, assim como a supervisão e manutenção dos equipamentos feito pela empresa detentora do material.

Maria Lina Antunes recordou que  a hemodiálise custa caro, pois os doentes têm de fazer análises regularmente, radiográficas, medicamentos para doenças crónicas como hipertensão, insuficiência renal crónica e esses medicamentos são suportados pelo hospital, inclusive a medicação para a anemia, onde são gastos entre 15 a 18 milhões de Kwanzas/mês.

Como perspectivas, realçou que pretendem cumprir cada vez mais as normas internacionais de cuidar dos pacientes, com rigorosidade no cumprimento, com a qualidade de um dia poder entrar no sistema de qualificação internacional e avançar para o tratamento desses doentes, poder posteriormente começar a fazer biopsias e transplantes renais.

“É preferível e tem menos gastos um candidato receber um rim do que estar anos e anos a fazer diálise e para o doente representa maior qualidade de vida, fica auto-suficiente, não fica dependente de ir ao hospital quatro horas em cada dois dias, tem a sua vida livre para outras actividades e sente-se melhor física e psicologicamente”, considerou.

O hospital já fez 21 cirurgias à fístula, esperamdo fazer outras ( condicionadas devido ao facto de  a profissional e causa vir de Luanda).

Lamentou a perda de três doentes renais crónicos durante o período, por não aparecerem com regularidade ao centro, nos dias que deviam fazer as sessões, um dos quais chegou a ficar um mês sem fazer diálise, situação que poderá estar minimizada com a um psicólogo para acompanhar os  doentes, assim como assistentes sociais.

Congratulou-se com a equipa de trabalho do centro por estar a prestar o melhor serviço do hospital no aspecto da pontualidade e assiduidade, sem nenhuma falta até ao momento.

Pacientes apontam benefícios

Com a abertura do centro de Hemodiálise do Hospital Central do Lubango há um ano, os apontam benefícios, entre os quais  a redução das despesas com o tratamento em Benguela.

Januário Mande, de 44 anos de idade, é um destes pacientes que diz ter a possibilidade de passar mais tempo ao lado da família e a recuperação da massa muscular.

O também professor  faz um balanço positivo do atendimento que recebe desde que começou a fazer as sessões de diálise no centro, declarando que a equipa médica, desde enfermeiros, técnicos de apoio o pessoal auxiliar, médicos nefrologistas correspondem com as expectativas.

Declarou que não ter  nenhum problema com a medicação e o tratamento, pois estão a fazer uma diálise em HDF, que constitui um avanço  em relação a outros centros que já frequentou na província de Benguela.

Aponta penas, como lacuna, a falta de  psicólogo e nutricionista para o melhor acompanhamento dos pacientes, bem como o reduzido número de transportes para apoiar os pacientes, tendo em conta que só existe um autocarro para o efeito.

O paciente avança que começou a sentir-se mal em 2011 e correndo atrás de medicações e tratamento a nível do país foi obrigado a embarcar para a Namíbia, em 2014, para um melhor acompanhamento, mas só diagnosticado com insuficiência renal um ano depois, no hospital Central do Lubango, por uma especialista em nefrologista.                                                           

Bernardete Sebastião, de 53 anos, está no centro do Lubango há um ano, diz que se  sente bem e agradece o governo pela investimento, pois há 11 anos que fazia as diálises no Huambo, distante da família.

Por sua vez a presidente da Associação dos Pacientes Renais (APR) da província da Huíla, Lurdes Freitas, avança que muitos doentes, pela sua condição, não conseguem trabalhar, situação que faz com que tenham dificuldades de sustentar as suas famílias.

A par desta situação, referiu que têm recebido, há três meses, ajuda do governo provincial da Huíla (cestas básicas para os pacientes, detergente em pó, sabão, entre outros meios).

Enalteceu o atendimento recebido no centro, mas queixa-se da falta de especialistas em nutrição, psicologia e pediatria para fazer o acompanhamento dos pacientes.

A associação controla actualmente 81 pacientes com insuficiência renal crónica.  

O centro conta com um universo de 33 funcionários, dos quais cinco são médicos (três internos e dois especialistas). Tem necessidade de mais quatro técnicos de enfermagem.