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PGR pondera mandado de captura contra Isabel dos Santos

26 Junho de 2020 | 13h22 - Política

Luanda - O procurador-geral da República, Helder Pitta Grós, admitiu a possibilidade de avançar, em coordenação com as entidades judiciárias portuguesas, para a emissão de um mandado de captura contra a empresária Isabel dos Santos, investigada por branqueamento de capitais.

Em declarações à imprensa, o magistrado do Ministério Público não avançou um horizonte temporal para a realização do mandado de captura, tendo dito apenas que a possibilidade consta do processo em curso.

"Temos estado a trabalhar em sintonia com as autoridades portuguesas, todo o trabalho que os últimos dias veio a público é um trabalho que está a ser feito em sintonia total entre Angola e Portugal a nível das entidades judiciárias, e se por acaso houver necessidade de chegarmos a esse ponto (emissão de mandado) em conjunto veremos como proceder", afirmou.

Helder Pitta Grós, que falava sexta-feira no final de um encontro com procuradores junto dos serviços executivos centrais do Ministério do Interior, sublinhou que a efectivação do mandado de captura é uma possibilidade. "São questões processuais e como devem imaginar não poderei aqui, desta forma, publicitar algo que está no processo e estamos a trabalhar”.

Isabel dos Santos está a ser investigada no âmbito de processos de natureza cível e criminal, em que o Estado angolano reivindica valores superiores a cinco mil milhões de dólares norte-americanos.

A empresária, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, foi alvo de um arresto de contas bancárias e participações sociais, tendo sido também arrestadas participações relativas a várias empresas em Portugal.

Isabel dos Santos, que nega todas as acusações e diz ser alvo de um "ataque com motivação política", afirmou, anteriormente, que pretende contestar junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a decisão de arresto de bens pela justiça portuguesa, tomada com base no processo da Procuradoria-Geral da República.

Em Dezembro de 2019, o Tribunal Provincial de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, o congolês Sindika Dokolo, e do ex-gestor do Banco de Fomento Angola (BFA ), Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a empresária detém participações sociais, por alegados negócios privados que terão lesado o Estado angolano.

Em Janeiro, o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou também mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de 'Luanda Leaks', que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.