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Angola espera que acordo abra caminho para paz na RCA

11 Fevereiro de 2019 | 19h34 - Política

Addis Abeba (Dos enviados especiais) - O ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, disse hoje, em Addis Abeba, esperar que o acordo para a paz na República Centro Africana (RCA), assinado no dia 05 deste mês, seja para valer.

  • Ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto

O ministro angolano, que participou na 32ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), referiu em entrevista à imprensa angolana, ter registado alguma evolução no processo para o alcance de paz definitivo naquele país, com a assinatura recente (05 de Fevereiro) do acordo em Cartum, Sudão, entre Governo e 14 grupos armados.

No passado, vários acordos para a cessão das hostilidades foram assinados, mas nunca respeitados pelas partes, daí Manuel Augusto esperar que o acordo agora assinado em Cartum se traduza na paz duradoura para RCA.

O chefe da diplomacia angolana enfatizou que, Angola, na qualidade de parte, como testemunha do processo, está disposta a assumir o seu papel para que aquele país da África Central possa encontrar a paz definitiva.

As conversações, iniciadas a 25 de Janeiro de 2018, por iniciativa da União Africana e da ONU, reuniram os principais líderes dos grupos armados e uma importante de

A situação na RCA faz parte do Relatório de Paz e Segurança, que está a ser discutido na 32ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), cujo trabalhos encerram hoje aqui em Addis Abeba.

Além da RCA, a Cimeira analisou também a situação na RDCongo,  Líbia, Sudão, Sudão do Sul, Burundi, Somália, e informações actualizadas sobre a implementação do roteiro mestre para silenciar as armas até 2020, bem como os processos eleitorais realizados em 2018 na RDCongo, Serra Leoa, Camarões e São Tome e Príncipe.

Sahara ocidental

Em relação ao diferendo que opõe Marrocos e as autoridades do Sahara, o ministro angolano disse que essa cimeira deu passos importantes em consonância com os esforços da comunidade internacional, que incentiva as partes envolvidas a encetar o diálogo.

Segundo o ministro, a indicação de um novo representante do secretário-geral da ONU e a evolução em relação ao posicionamento dos EUA, expresso no conceito estratégico, aprovado há pouco tempo pelo conselho de segurança dos Estados Unidos, demonstram que haverá novos desenvolvimentos a contento das partes.

“É preciso que as partes continuem a discutir esse processo. Todo mundo está cansado, a começar pela ONU, a comunidade internacional está a mandar sinal para as partes envolvidas, porque senão haverá outras consequências e uma delas é a retirada dos capacetes azuis da ONU, A Munusco que está há muitos anos no Sahara”, disse, acrescentando que ninguém está interessado que isso aconteça.

Reformas na UA

Durante a Cimeira, que teve como tema central o ano dos refugiados e deslocados internos, os chefes de Estado analisaram também assuntos como a Zona de Livre Comércio Continental, o financiamento da organização, a luta contra o terrorismo e extremismo e as reformas.

Manuel Augusto informou que a larga maioria dos países entende que os países devem continuar a ter influência sobre a eleição dos comissários, daí o compromisso dos líderes foi o de estabelecer um painel de altas individualidades, representando cada uma das cinco regiões, para poder assegurar a imparcialidade neste processo de escolha.

Clarificou que na UA, todos os estados membros estão de acordo de que deve haver reformas, com uma comissão funcional e menos burocrática, com práticas mais transparentes, pois há nuvens que pairam sobre o funcionamento da comissão, nomeadamente os processos de candidaturas.

“Algumas práticas sociais menos recomendáveis. A necessidade de reforma já não se discute, mas sim a sua forma de implementação. Há a necessidade de melhor afinação. Angola a nível da SADC tem estado a jogar um papel activo, através da África austral, uma das zonas do continente mais activa”, frisou.

Enfatizou que a implementação terá lugar, independentemente das pessoas, para isso é necessário que se dê mais importância as estruturas do que as individualidades.

Diplomacia angolana na UA


A par da agenda da Cimeira, Manuel Augusto teve um programa preenchido com encontros diplomáticos, ao ser recebido pelos presidentes Filipe Nyusi de Moçambique, Alpha Condé (Guiné), Félix Tshisekedi, Faustin Touadéra (RCA), assim como as primeiras-ministras de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe.

Participou na reunião da SADC, encontro que deu um conforto ao Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi.

A nível dos lusófonos, presidiu a segunda reunião extraordinária do Conselho de Ministros do Fórum dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa que decidiu recomendar aos chefes de Estado e de Governo do Fórum a ratificar a adesão da Guiné Equatorial, como membro de pleno direito.

A reunião, convocada por Angola, na qualidade de presidente do Fórum desde 2014, recomendou também a ratificação do projecto de resolução de adesão de Timor Leste a Estado membro observador.