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África deve investir no talento humano- Bill Gates

10 Fevereiro de 2019 | 17h36 - Política

Addis Abeba (Dos enviados especiais) - Os líderes africanos deverão apostar fortemente no talento humano, para que a Agenda "África 2063" possa atingir os seus objectivos, afirmou hoje, em Addis Abeba, o fundador da Microsft, Bill Gates.


Bill Gates, um dos três convidados especiais da cerimónia de abertura da 32ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), aberta hoje (doimngo), referiu que será esse talento humano que vai projectar, implementar e gerir todas as infra-estruturas para suportar o desenvolvimento do continente.

Há mais de 25 anos que, através da sua fundação Bill&Melinda Gates, Bill Gates apoia projectos sociais em África nos sectores da educação e saúde, por entender que pessoas saudáveis e com boa educação geram desenvolvimento.

Através da sua fundação, já investiu em África mais de 15 mil milhões de dólares em programas de educação, projectos sobre agricultura, programas de combate da pobreza e de doenças como a malária.

Dissse acreditar que África pode atingir os seus objectivos, desde que invista inteligentemente no capital humano, pois a sua fundação está disposta em continuar a apoiar projectos que ajudem a desenvolver o continente.

Por sua vez, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, segundo convidado especial da cerimónia de hoje, salientou que o organismo que gere o futebol no mundo é um parceiro de África, na promoção de programas sobre educação e desporto.

Sublinhou que o futebol é mais do que um jogo, pelo seu impacto na economia e efeito psicológico que tem sobre as pessoas. “O futebol também constitui uma ferramenta para o crescimento da economia e um meio de integração dos povos”, disse.

Frisou ser sua ambição que a África deixe ser promessa e passe para uma certeza em termos de resultados, quer nos mundiais, quer na melhoria das competições internas, por possuir potencialidades e talentos.

Desde que assumiu a FIFA há dois anos, Infantino disse ter trabalhado para o aumento de número de selecções africanas no mundial de cinco para 10. E também aumentou as verbas destinadas ao surgimento de infra-estruturas ligadas ao futebol no continente.

Informou estar a estabelecer parcerias com a União Africana, na luta contra a corrupção, para não haver resultados viciados no futebol, para garantir a segurança nos estádios, e a educação, principal enfoque social da FIFA, que ensina a criança a se preparar para a vida.  

Por seu turno, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom, referiu que, depois da campanha da União Africana que culminou com a sua eleição para liderar a Organização Mundial da Saúde, o objectivo dos lideres africanos deve agora passar pela criação de condições que garantam saúde e bem-estar de todos os africanos, para que o continente ocupe o seu lugar no mundo e desenvolva todo o seu potencial.


Para o efeito, disse que África deve fazer investimentos inteligentes, sobretudo nos cuidados primários de saúde, na medicina preventiva, e trabalhar muito para controlar surtos e doenças como o Ébola e a criação de agências de medicamentos, para combater o fenómeno de fármacos adulterados.

Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que África tem muitos desafios pela frente, como a manutenção da paz e segurança, combate as alterações climáticas, entre outros.

Por outro lado, destacou os acordos de paz alcançados no Sudão do Sul e na República Centro Africana (RCA).

Disse que o momento agora é trabalhar em soluções para unificar o povo líbio e consolidar as operações de paz a nível do continente, iniciativas que na sua óptica são positivas.

Por sua vez, o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud-Abbas, encorajou as reformas em cursos nos países africanos, o diálogo e transição pacífica do poder, e agradeceu o apoio que tem recebido para a causa do povo palestiniano, que luta para sua autonomia.

A cerimónia de abertura da 32ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorre na sede da organização, em Addis Abeba, foi presidida pelo Presidente Abdel Fattah Al-Sisi, na qualidade de novo líder da organização.

Al-Sisi sucede assim o Presidente do Rwanda, Paul Kagame, que assumiu o cargo rotativo em 2018.