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MPLA condena aproveitamento político do 27 de Maio

27 Maio de 2013 | 15h03 - Política

Declaração

Luanda - O MPLA condenou hoje, segunda-feira, o aproveitamento político do ocorrido a 27 de Maio de 1977 por parte de cidadãos que, não tendo estado directamente envolvidos nas acções à volta desses acontecimentos e das suas consequências, distorcem a verdadeira razão dos factos.

Esta posição está expressa numa declaração do Bureau Político do MPLA, tornada pública hoje, em alusão dos factos ocorridos a 27 de Maio de 1977 a qual considera que os aproveitamentos políticos de qualquer espécie não têm razão nenhuma para ocorrerem, sobretudo por parte de cidadãos que, exploram e exacerbam tais factos, estimulando o ódio e a divisão entre angolanos.

Realça que, numa altura em que se assinala a passagem do trigésimo sexto ano sobre a data do 27 de Maio de 1977, o MPLA não pode ficar indiferente a ela, reiterando a sua posição inequívoca sobre este facto surgido no seu seio, tal como já o havia feito há cerca de 11 anos.

“O MPLA, acredita, que a atitude marcada por um elevado grau de imaturidade de alguns dos seus militantes e a incipiente organização e funcionamento das instituições e excessos de zelo dos seus principais agentes, contribuíram decisivamente naquela altura para os factos ocorridos”, lê-se no documento.

A declaração realça que com efeito, ao reconhecer que os acontecimentos à volta do 27 de Maio de 1977, marcaram, de forma bastante negativa, uma época da nossa história recente o MPLA considera que foram a Nação e o Povo Angolano quem perdeu com todos estes episódios negativos.

Apela a que toda a acção futura deve procurar sempre evitar que comportamentos e atitudes deste tipo possam, novamente, vir a ter lugar, quer nas instituições partidárias, quer nas estaduais.

“ A nossa postura deve ser contrária a estes propósitos, de forma a caminharmos decididamente para um processo de reconciliação e unidade nacionais, cada vez mais profundo e genuíno”, refere.

Frisa que a prática democrática deve, deste modo, constituir o caminho ideal para que os angolanos possam exprimir as suas posições e fazê-las prevalecer, qualquer que seja o seu posicionamento político, a sua condição social, credo religioso, origem étnica, raça ou género.

A história recente de Angola está recheada de factos e acontecimentos que tocaram profundamente várias gerações de angolanos, menciona o Bureau Político do MPLA.

O povo angolano foi e há-de continuar a ser o principal protagonista de todos estes factos que marcaram e marcarão a nossa história, prossegue o documento.

A declaração sublinha que depois de mais de cinco décadas sofridas por conflitos de vária ordem, guerras, destruição, excessos de vários tipos, os angolanos estão cada vez mais decididos a caminhar firmes na senda da responsabilidade e da tolerância e, sobretudo, da reconciliação de toda a família angolana.

A maturidade, o sentido de Estado e o alto grau de responsabilidade e o espírito de fraternidade e de flexibilidade que os angolanos e as suas instituições atingiram, conduziram-nos à paz, à concórdia e à estabilidade política, lê-se na nota.

Acrescenta que os exemplos que, nos últimos dez anos nos têm sido dados com a finalização do conflito militar e com as manifestações de perdão, de tolerância e de reconciliação, são provas evidentes desta nova realidade.

Considera que este foi, sem qualquer dúvida, um caminho difícil de trilhar, desde o dia 11 de Novembro de 1975.

De acordo com a declaração, o MPLA não pode, pois, estar dissociado dos principais momentos nesta caminhada para a construção de um Estado forte, com instituições credíveis, em que os direitos, os deveres, as liberdades e as garantias fundamentais dos cidadãos sejam asseguradas, consolidando e ampliando a democracia, nos seus múltiplos aspectos.

Esta foi a razão principal por que se bateu firmemente pelo alcance da paz, quando todos os anos milhares de angolanos pereciam injustamente, acrescenta.

Em relação a todos quantos, de algum modo, estiveram envolvidos nos acontecimentos em torno do 27 de Maio de 1977 e aos demais cidadãos que, de qualquer forma, estiveram associados à guerra fratricida que o País viveu, o MPLA recomenda que as instituições do Estado, com o apoio da sociedade, devam continuar a trabalhar para que as consequências produzidas por estes acontecimentos não criem entraves ou dificuldades de qualquer natureza, ao exercício pleno dos direitos constitucionais e legais, por qualquer cidadão.

“Ao virarmos mais esta página da nossa história devemos assumir o compromisso, perante o povo angolano e o mundo, de tudo fazermos para que Angola seja a Pátria da liberdade, da tolerância, da democracia e da justiça”, finaliza a declaração.