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Divergências político-ideológicas entre movimentos de libertação geraram conflito interno

05 Novembro de 2010 | 19h30 - Política

Conferência

Luanda - O general das Forças Armadas Angolanas (FAA), na reserva, Tonta Afonso de Castro afirmou hoje, sexta-feira, em Luanda, que divergências político-ideológias constituíram a génesis do conflito interno, no advento da independência nacional em 1975. 

Ao dissertar sobre o tema "O ELNA e a Batalha de Kifangondo", na conferência dedicada a este marco da História recente do país, salientou que a sua potenciação resultou do conflito, propagado já durante a guerra anti-colonial, que então desenvolviam o MPLA, FNLA e UNITA.

Para o general Tonta de Castro, ao tempo membro do comando do ELNA, então pertencente à FNLA, as ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) tiveram maior capacidade de organização, facto que levou a derrota dos oponentes, constituídos por forças coligadas do ELNA, mercenários sul-africanos e de outras nacionalidades, assim como efectivos militares do antigo Zaíre.

Explicou que o plano consistia em intimidar, com flagelamento à cidade de Luanda, a partir do famoso morro da Cal, na região de Kifangondo, que dista a 30 quilómetros da capital, com o fito de impedir a população de participar no acto de proclamação da independência, inviabilizando a importante cerimónia.

Na dissertação, o general Tonta, que já foi também assessor do antigo ministro da Defesa, Kundi Paihama, detalhou os momentos cruciais da batalha, no fórum convocado para a recolha de dados com vista a maior e melhor divulgação da História de Angola, segundo os promotores.

Os participantes defenderam a realização de encontros do género para melhor esclarecimento desta e outras batalhas da epopeia do povo angolano, para que as gerações possam conhecer a História

verdadeira de Angola. 

Após presidir ao acto de abertura, o ministro da Defesa, Cândido Pereira Van-Dúnem, assistiu à apresentação dos quatro painéis, acompanhado do chefe do Estado Maior General das FAA, general Geraldo Sachipengo Nunda.

A conferência, dedicada à Importância da Batalha de Kifangondo, realizou-se no âmbito das celebrações dos 35 anos de independência nacional, organizado pelo Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas e o Ministério da Defesa Nacional. 

Participaram oficiais-generais e almirantes dos ramos das FAA (Exército, Força Aérea e Marinha de Guerra), adidos de Defesa acreditados em Angola, antigos combatentes, membros da Comissão de Defesa e Segurança da Assembleia Nacional, quadros da Polícia Nacional, entre outras individualidades.

A batalha de Kifangondo, município de Cacuaco, ocorreu a 10 de Novembro de 1975, a 30 quilómetros da cidade de Luanda, onde o presidente António Agostinho Neto viria a proclamar, perante a África e o Mundo, a independência de Angola, horas depois.