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UEA homenageia Ernesto Lara Filho

20 Novembro de 2019 | 23h12 - Lazer e Cultura

Luanda - Conhecido como um dos maiores cronistas da história do jornalismo angolano, Ernesto Pires Barreto de Lara Filho foi, nesta quarta-feira, em Luanda, recordado na União dos Escritores Angolanos (UEA), no habitual Maka a quarta-feira.

Ernesto Lara Filho, nasceu em Benguela, a 2 de Novembro de 1932 e faleceu a 7 de Fevereiro de 1977, no Huambo em consequência de um trágico acidente de automóvel.

Durante o evento, Arlindo Leitão, seu contemporâneo, relembrou, com nostalgia, os momentos inesquecíveis passados com Ernesto Lara Filho, na província de Benguela, sublinhando a sua reverência como jornalista, poeta e cidadão preocupado com a liberdade do povo angolano.

“O Ernesto também gostava de futebol, era benfiquista e do Mambroa FC, mas consegui em 1974 leva-lo ao Ferrovia, onde fez alguns treinos”, referiu.

Arlindo Leitão aproveitou ainda o momento para mostrar aos presentes um dos últimos poemas de Ernesto, onde faz menção aos amigos daquele tempo, bem como a troca da moeda portuguesa pelo Kwanzas.

Para o escritor Manuel Rui Monteiro, a poesia de Ernesto tem uma ligação temática com os poemas de Agostinho Neto e António Jacinto, considerando-a substantivamente com pouca metáfora, aproximando a palavra a dança. 

Embora não o tenha conhecido com maior profundidade, Pedro de Alburquerque, filho de Alda Lara, conta que recorda vagamente da ajuda que o seu tio deu a sua mãe no momento de formação em Portugal.

“A maioria das coisas que sei sobre o meu tio foi por intermédio das pessoas que conviveram com ele”, referiu.

Ao intervir no momento, Paulo Lara, também sobrinho, falou sobre a pretensão de se publicar dois documentos importantes, nomeadamente uma correspondência de Ernesto Lara Filho enviada a Lúcio Lara, onde focava questões sociais vividas na época, bem como o diário escrito no Huambo (Antiga Nova Lisboa). 

Para Lopito Feijó, Ernesto Lara Filho é uma figura controversa que marcou a sua época, procurando afirmar a sua angolanidade por via da sua pena literária e jornalística, fundamentalmente pelas suas poesias muito coloquial e com um conteúdo muito profundo.    

Poeta co-fundador da União dos Escritores Angolanos, escreveu os seguintes títulos: Picada de Marimbondo (1961), O Canto de Martrindinde e Outros Poemas Feitos no Puto (1964), Seripipi na Gaiola (1970), O Canto de Martrindinde (compilação das três obras anteriores, 1974).

As suas crónicas jornalísticas foram compiladas em 1990 sob o título Crónicas da Roda Gigante.