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Carolina Cerqueira defende respeito pelos valores morais

16 Maio de 2018 | 08h40 - Lazer e Cultura

Luanda - A promoção dos valores morais devem partir do seio da família, por ser no início do processo de socialização que a família deve inculcar nos mais novos o conhecimento e o respeito pelas normas morais, pelos símbolos nacionais e locais, bem como pelas figuras históricas e patriotismo, defendeu terça-feira, a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira.

  • Carolina Cerqueira, Ministra da Cultura

Carolina Cerqueira, que falava na abertura da 21ª sessão do Conselho Nacional da Família, afirmou que os tempos conturbados motivados pela crise económica e social que se regista no país trazem à luz do dia atropelos às regras morais, de modo que se pode considerar que se vive um período de agudização dos problemas sociais com efeitos que comprometem o objectivo comum de dignificação da pessoa humana e de melhoria progressiva das condições de vida dos angolanos.


Para a governante, os valores que estão em crise são a preocupação e o respeito pelos demais, que é atropelado por pessoas de várias faixa etárias, num grande esforço de promoção do individualismo e egocentrismo, sempre com o objectivo de cada um lucrar mais do que o outro, bem como a solidariedade social que afecta de forma negativa.

"As pessoas estão a ser menos solidárias e esquecem que o auxílio aos mais vulneráveis contribui para o aumento da harmonia na nossa sociedade", sublinhou, acrescentando que o combate a corrupção-um mal generalizado-deve ser uma tarefa de todos, cada um no seu posto e a todos os níveis.

Para a ministra, um problema social de grande dimensão que está relacionado com a quebra de valores morais e que prejudica seriamente a coesão social é a proliferação de igrejas ou denominações religiosas que surgem supostamente para contribuir para harmonia social, mas de facto muitas delas são usadas como fachadas para garantir o enriquecimento ilícito e imoral de falsos profetas (promotores de iniciativas privadas como rótulo de religião).

"A religião é usada instrumentalmente com o objectivo de ludibriar as pessoas vulneráveis e necessitadas com apoio espiritual e vão alimentando esses falsos profetas", frisou, alertando à população a prevenir-se deste mal que ameaça a coesão social e pode até ameaçar a soberania e os interesses superiores nacionais", reforçou.

Apelou às comunidades e às famílias angolanas a denunciar os falsos profetas, que mais não são do que promotores da desordem e da desarmonia social, normalmente auto-proclamados pastores, sem qualquer formação teológica, que se juntam em associações de carácter ilegal e amoral para ludibriar o próximo.

Carolina Cerqueira diz ser necessário se pôr fim a esta atitude que nada tem a ver com crença religiosa nem com o auxílio ao próximo, pelo contrário, visa apenas extorquir e enganar com falsas promessas de cura, enriquecimento fácil, sucesso profissional, financeiro e amoroso e muitas vezes recorrem a práticas feiticistas que ferem a moral e a ordem pública.

De acordo com a ministra, a opção democrática feita pelos diferentes autores políticos, sociais e económicos obriga que se ausculte a população e organizações da sociedade civil para a concessão de políticas públicas para a inclusão das áreas da acção social, família, infância e promoção da mulher.


Carolina Cerqueira recordou a intervenção do chefe de Estado angolano, João Lourenço, em 2017, sobre o estado da Nação, segundo a qual, citou "teremos todos de reflectir a cerca do espaço que temos dados à sociedade civil, a academia angolana e aos próprios cidadãos para contribuírem na concessão de politicas publicas".

Referiu que os signatários das políticas públicas devem ser chamados a colaborar nessa missão e contribuírem para o fortalecimento das famílias e no resgate do seu valor, bem como no bem-estar da Nação angolana.

De acordo com Carolina Cerqueira, é missão do Conselho promover a família enquanto instituição de base da sociedade, bem como valorizar a pessoa humana e congregar o respeito pelos direitos fundamentais da pessoa humana, promoção da inclusão social e o fomento de importantes factores como educação e emprego para garantir a melhoria da qualidade de vida da população.

A ministra ressaltou ainda a importância do exemplo no seio da família, exemplo de vida, exemplo de conduta, exemplo de lisura e de honestidade, elevando o valor do trabalho como caminho para a dignidade e promoção de valores. 

Com a duração de um dia a 21ª sessão do Conselho do MASFAMU, os participantes abordarão temas sobre " Os pais como modelo de valores e inspiração", "O diálogo como chave para manter os laços familiares", "Relação família e escola" e "O papel da família na prevenção de comportamentos desviantes dos estudantes e melhoria da qualidade de ensino".