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06 Outubro de 2001 | 18h19 - Lazer e Cultura

Luanda

  • puro0610

Luanda, 07/10 - O grupo musical angolano Puro Style, integrado por artistas dos SSP e O2, vai apresentar oficialmente no dia 19 deste mês, em Luanda, um disco compacto dedicado às vítimas daSida.Intitulado "Life", o álbum que saiu a público com a chancela da editora angolana "Rubens Produções", reúne dez canções produzidas emdois períodos e países diferentes.#

Entrevistado hoje pela Angop, o responsável do grupo, Bigu Ferreira, informou que depois do lançamento seguir-se-á uma série de espectáculos em vários pontos do país e no estrangeiro, a iniciaremno mês de Dezembro.

Segundo o artista, tanto o "Puro Style" como a editora estão a trabalhar para materializar esse intento, sublinhando que os discosestarão ao dispor do público na próxima semana.

Bigu Ferreira que não participou vocalmente na obra, disse teremsido gravados cinco mil discos compactos "Cd`s", cuja venda seráfeita em Angola e na Comunidade dos Países de Língua OficialPortuguesa (Palop).

De acordo com o músico, o álbum visa ajudar "moralmente" os infectados pela Sida e sensibilizar outras pessoas sobre os perigosdesse flagelo. Ele informou que os Cd`s estarão disponíveis nas casashabituais, ao preço simbólico de 12 dólares.

Por sua vez, um dos vocalistas do grupo, Big Nelo, esclareceuque a produção da obra fonográfica iniciou em Angola, mas grandeparte do "trabalho de estúdio" foi realizado em Joanesburgo (Áfricado Sul).

Segundo explicou, todas as canções foram captadas e misturadasna empresa "Down Town" e masterizadas na "Forest Stúdio" (África doSul), país onde o grupo permaneceu durante dois meses.

Big Nelo frisou que o produto inclui uma diversidade de estilose ritmos bastante apreciados em Angola, tais como "Zouk", "SoulMusic", "Arent Bi", "Raga Mufin", "Kizomba" e "Hip Hop".

Na opinião do Raper, "Life" tem todos os condimentos para fazersucesso no país e noutros mercados internacionais, porqueapresenta "uma qualidade de elevado nivel", principalmente em termosde som, de instrumentalização e de concepção da capa.

Questionado sobre a opção do Puro Style em escolher "Life" comoo título do álbum, o artista disse ter sido uma forma de persuadira sociedade a valorizar mais a vida e saber que a mesma obedece aduas etapas fundamentais: o presente e o futuro.

De acordo com Big Nelo, o conjunto adoptou uma terminologiainglesa (Life) para conseguir internacionalizar o trabalho e fazê-lochegar a mercados difíceis, como o sul-africano, o francês e obrasileiro.

Referindo-se a fase de produção e concepção das canções do Cd, Gunza José (instrumentista do grupo) disse ter sido difícil,porquanto participaram na mesma artistas de grande talento eresponsabilidades em termos de fans.

Segundo o teclista, que pela primeira vez participou vocalmentenum trabalho discográfico, projectos do género (gravação de álbuns conjuntos) devem ser alargados a outros músicos e grupos nacionais.

Indagado sobre o facto de no Cd terem sido feitas algumas fusõesde ritmos, o instrumentista explicou que elas surgiram para dar maisangolanidade ao produto e garantir melhor aceitação no mercado.

"Nós fizemos essa fusão porque o hip hop e o zouk não são ritmosde raízes angolanas. As canções desse Cd apresentam esses estilos demúsica, mas com um toque nacional", sublinhou Gunza José.

Na mesma senda, o também teclista do puro Style, João Paulo,disse ter tido uma participação diferente das habituais, uma vez quetambém explorou o seu lado menos forte: a vocalização.

De acordo com o músico, grande parte das canções incluídas nesse trabalho foram programadas, apesar dos artistas Nguabi Monteiro eWalter Ananas terem introduzido algumas guitarras eléctricas.

Segundo explicou, a opção pelas canções programadas deveu-se aofacto delas serem menos onerosas e porque o projecto do grupo abraça uma causa muito específica (a luta contra a Sida).

"Esse projecto não teve grandes gastos. A música acústica envolve gastos elevados e por isso preferimos fazer programação",argumentou João Paulo.

Na opinião dele, o álbum reúne 50 por cento do talento dos doisgrupos (O2 e SSP) e sublinhou que o primeiro "tocou três Kizombas euma Soul Music para demonstrar o seu ritmo tradicional, enquanto ooutro instrumentalizou quatro Hip Hop com o mesmo objectivo".

Segundo o teclista, cujo propósito é melhorar a sua vocalização,a canção com maiores probabilidades de fazer sucesso imediato temcomo título "Bribaba", por ter sido o tema utilizado como promoção doCd.

Além da canção mencionada, João Paulo disse apostar na faixanúmero dois (Se eu te perco) que apresenta inovações rítmicas,baseadas numa fusão de Hip Hop com Ku Duro e Timbaland.

Ao referir-se ao conteúdo dessas músicas, Jeff Brow salientouque elas retratam aspectos do quotidiano, entre os quais as formasde diversão da juventude. Essa temática, acrescentou, tem comoobjectivo alterar os comportamentos incorrectos de certas pessoas.

"A filosofia do grupo nesse projecto passa pela sensibilizaçãodesse tipo de pessoas, usando temas recreativos, para mostrarmosaos fans que também sabemos nos comportar e precaver-se dos males,frisou o compositor.

Segundo o Raper, as canções inseridas na obra apresentam grandediversidade linguística (português, umbundo, espanhol e inglês),visando torná-la mais comercial e de fácil acesso nos mercadosinternacionais.

Jeff Brown explicou, por outro lado, que o Puro Style optou porgravar o disco na África do Sul, por ter sido um dos primeirospaíses a lançar o apelo na luta contra o flagelo do século.

Na óptica do artista, aquele país é um "bom mercado" para se produzir projectos de impacto social, porque oferece facilidades deexpandir e sensibilizar todo o continente africano.

Por sua vez, Walter Ananas (vocalista e compositor) disseestarem a trabalhar afincadamente com a editora para habituar osfans com as músicas do álbum, por forma a que o mesmo seja bemaceite por todos.

Questionado sobre o "forte" desejo dos admiradores do grupo em receber discos gratuitamente, o músico disse que depende da editora,pelo facto de lhe ter sido vendido o produto, antes da sua gravação.

"Nós negociamos o trabalho com a Rubens Produções, e issodepende muito dela. Mas é claro que vamos ajudá-los, porquegostamos de os ver cantar e dançar as nossas músicas", rematouWalter Ananas.