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Timor-Leste: Xanana desvaloriza protestos junto do Palácio do Governo

20 Julho de 2004 | 16h36 - Internacional

Díli

Díli, 20/07 - O presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, desvalorizou nesta terça-feira os protestos desencadeados por manifestantes junto ao Palácio do Governo, que a polícia dispersou esta manhã com recurso a granadas de gás lacrimogéneo e disparos de balas de borracha.

Em declarações à Agência Lusa e à RDP, no final de um encontro com o primeiro-ministro Mari Alkatiri, o chefe de Estado lamentou os incidentes ocorridos.

"Tenho a lamentar que (o líder da manifestação, Cornélio Gama) L7 não nos tenha ouvido e tenha preferido buscar apoio moral e talvez apoio político, junto de algumas pessoas que na questão dos antigos combatentes talvez não possuam credibilidade bastante para guiarem iniciativas deste género", salientou.

Xanana Gusmão referia-se às acusações que Mari Alkatiri tinha proferido minutos antes contra dirigentes de alguns partidos da oposição.

Na ocasião, também em declarações à Lusa e à RDP, o chefe do Governo adiantou que as autoridades estão a seguir os passos de alguns responsáveis partidários.

"Temos vindo a seguir os passos de alguns responsáveis, de dirigentes de alguns partidos, que têm vindo a tentar utilizar L7, politizando a situação dos antigos combatentes", explicou Mari Alkatiri.

"Nos últimos dias fui acompanhando com informações que recebi de três fontes diferentes: da polícia, da inteligência militar e do meu próprio serviço de informações", explicou Mari Alkatiri, que acusou o presidente do Partido Social Democrata, Mário Carrascalão, e Angela Freitas, do Partido Trabalhista de Timor (sem representação parlamentar) de instrumentalizarem L7 e os antigos combatentes.

Xanana Gusmão disse que vai procurar falar com L7 para debater a questão dos antigos combatentes e também com Mário Carrascalão e Angela Freitas.

A manifestação, protagonizada por cerca de 300 pessoas, entre as quais antigos combatentes, encabeçados por L7, concentraram-se segunda-feira ao final da tarde junto ao Palácio do Governo. Parte dos manifestantes pernoitaram no local, já dentro do perímetro do edifício.

Hoje de manhã, os manifestantes recusaram-se a dispersar, tendo a polícia disparado seis granadas de gás lacrimogéneo e balas de borracha, algumas das quais foram encontradas nas varandas da chancelaria e consulado de Portugal, num edifício defronte do local em que os manifestantes se concentraram.