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Sinprof contraria orientação do MED

01 Agosto de 2020 | 23h27 - Educação

Luanda - O presidente do Sindicato dos Professores Angolanos (Sinprof), Guilherme Silva, repudiou, este sábado, o despacho do Ministério da Educação (MED), que obriga os professores do ensino geral a marcar presença nas escolas, a partir de segunda-feira (3).

Através desse instrumento, tornado público a 28 de Julho,   orienta-se os docentes a comparecer, para participar na organização dos processos individuais dos alunos, dos dados estatísticos e da força de trabalho.

Conforme o despacho, a ida dos profissionais  visa, ainda, classificar arquivos, bibliotecas, livros e organizar as salas de aulas.

Também consta da lista de tarefas a elaboração de cartazes sobre a  Covid-19 e a realização de formação, entre outras obrigações.

Em declarações à ANGOP, Guilherme Silva declarou que "tais acções não fazem parte das obrigações dos docentes", considerando "desrespeitoso" orienta-los a executar tarefas fora do seu âmbito profissional.

O sindicalista apontou como tarefas dos docentes a preparação de aulas teóricas e práticas, dos meios e do material pedagógico de apoio, estudo em grupo dos conteúdos da classe e da disciplina que lecciona, colaboração em actividade de complemento curricular, além da participação na reunião com os país.

Guilherme Silva teme que os gestores escolares forcem os professores a fazer trabalhos de limpeza, arrumação e organização de arquivos, e apela aos respeito pela dignidade dos docentes.

O sindicalista prometeu denunciar todos os eventuais atropelos dos gestores escolares, tomados ao abrigo do despacho do MED.

Manifestou, por outro lado, preocupação pelo facto de as escolas continuarem a não ter condições de biossegurança e, ainda assim, orientar-se a presença dos docentes.

"Os professores irão a escolas que não possuem água, nem a possibilidade de desinfecção das salas de trabalho", advertiu.

O retorno dos alunos à escola está sujeito à observância de regras de biossegurança e de distanciamento físico, a desinfestação e ventilação constante das salas de aulas.

As aulas do ensino geral, I e II ciclos dos ensino secundário e do ensino universitário foram suspensas as 25 de Março depois do registo do primeiro caso positivo de Covid-19 no país.