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Suíça: Angola discorda transferência do elefante do Anexo l para ll

18 Agosto de 2019 | 17h31 - Economia

Genebra - ( Do enviado especial) - A República de Angola é contra a posição de alguns países da região da SADC, que propõem a transferência do elefante africano do Anexo l para Il da Convenção sobre o Comércio Ilegal de Fauna e da Flora Selvagem (CITES), por desconhecer o número da sua população.

  • MANADA DE ELEFANTES

As propostas das Repúblicas da Zâmbia, Botswana, Namíbia e Zâmbia serão apresentadas, em sessão plenária, durante a 18ª Conferência das Partes sobre o Comércio Ilegal das Espécies da Fauna e Flora Selvagem (COP 18),  em que Angola é representada por uma delegação multisectorial,  entre os quais técnicos do Ministério do Ambiente, da Embaixada do País na Suíça e consultores.

Angola fundamenta que, se apoiar a proposta dos outros países da SADC, colocará em causa  as espécies no país, visto que o Anexo Il das CITES,  que inclui as espécies  que não estão  necessariamente em ameaças de extinção, mas que podem ser comercializados, não são rigorosamente controladas.

Para a consultora para Conservação da Biodiversidade em Angola, Tamara Ron, a redução do estatuto do elefante africano pelos países referidos poderá aumentar a caça furtiva e o comércio ilegal, o que poderá causar sérios problemas para Angola.

"Angola não pode aceitar  uma resolução que não vai beneficiar em nada, mas sim sofrer. Temos de  entender que os elefantes são a mesma população e todos os países devem trabalhar em conjunto para  criar as condições, para que está população animal seja protegida a nível regional e não nacional”, defendeu, sublinhando que o elefante é um animal migratório e passa  os limites de países transfronteiriços.

“ Pesquisas feitas com base em GPS revelam movimento de elefantes que saíram de Angola para outros países vizinhos, por isso, um elefante quando pisa em Angola é de  Angola e o mesmo acontece quando pisa a Namíbia ou Zâmbia pertence a estes países “, observou a especialista.

Desta feita, defende que os países considerem ser  “uma população “ todos os elefantes que passam na área do Kaza-Okavango,  que cobre os cinco países.

Angola, acrescentou, ainda tem recebido muitos dos elefantes que saíram do país por várias razões, removendo as barreiras entre a região do Cuando Cubango e a faixa de Caprivi e entre Caprivi e Botswana, onde existe uma vedação que deve ser desfeita.

Tão logo forem removidas as barreiras, a especialista defende a estabilização da fiscalização, para evitar a caça furtiva.

A pressão exercida pelos elefantes ( conflito homem-elefante) nos países propõem-se a transferência do Anexo I para Il, o que constitui um dos motivos apresentados.

Neste dia de trabalho, os delegados a COP 18 estão a discutir vários documentos, entre os quais o comércio de carne de caça, a adopção de novos idiomas nos grupos de trabalho e os fundos da CITES.

A COP18 decorre  no Centro de conferências de Palexpo,  em Genebra, de 16 a 28 do mês em curso.