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Migração provoca disputa de pastos para criadores de gado

15 Maio de 2019 | 17h48 - Economia

Bibala - O fenómeno da migração que se regista nos municípios da província do Namibe, com maior intensidade os da zona sul (Virei e Tômbwa), poderá acarretar conflitos de terras e disputas de pontos de água e de pastos para o gado das comunidades que se dedicam a actividade agrícola e da pastorícia.

A inquietação foi manifestada pelo vice-governador para área técnica e infra-estruturas do Namibe, José Tchindongo António, quando falava à Angop no final do encontro de avaliação sobre o desenvolvimento dos 15 pólos agrícolas da província, que decorreu hoje no município agro-pecuário da Bibala.

Para acautelar a situação, o governante disse que foram baixadas orientações para as administrações municipais, concretamente, na sensibilização de todos aqueles populares que fazem o processo de transumância, explicando de forma segura, como deve ser repartido os poucos recursos existentes em algumas áreas, como a água e pasto para o gado, evitando assim conflitos entre populares criadores de gado.

De salientar que este fenómeno da transumância está sendo feito por criadores de gado que estão a tirar o seu gado da comuna do Yona, município do Tômbwa e do Virei em direcção o município da Bibala, onde até ao momento ainda existe áreas com água e algum pasto para os animais, situação que poderá durar mais três meses e de lá para frente caso não haja chuva tudo poderá complicar-se para a população com a seca, fome, pobreza e miséria no seio das famílias.

Depois de cinco anos da criação dos pólos de desenvolvimento agrícola a nível dos cinco municípios, o governante considerou a sua gestão de positivo, apesar de existir nos últimos anos algumas dificuldades concernentes, a falta de recursos financeiros para a compra de peças sobressalentes para a reposição de alguns meios que se encontravam avariados como tractores, motobombas, carrinhas, entre outros.

Apontou ainda o mercado nacional como fraco naquilo que está relacionado com as peças para estes equipamentos agrícolas o que tem vindo a dificultar todo o trabalho dos camponeses em produzir a terra.

“ Este programa tem vindo a dar um alento e reforço nas dificuldades que milhares de famílias vinham enfrentando, sobretudo, as do interior da província, ou seja ele permitiu a criação de condições as famílias camponesas e não só”, disse o vice-governador.

Como solução para o seu normal funcionamento, José Tchindongo António, sublinhou a necessidade de aberturas de furos de água como sendo o principal recurso para a prática da agricultura, uso doméstico e abeberamento do gado destas famílias.

Com mais recursos financeiros, segundo a fonte, os pólos de desenvolvimento agrícola poderão melhorar a gestão dos seus meios, aumentando assim a produção agrícola, ajudando assim o Estado no combate à fome e à pobreza no seio das famílias.

“ Foram dadas orientações necessárias por parte do governo da província, para que nos próximos tempos a situação venha a melhorar, pois com a reposição de algumas peças sobressalentes e aquisição de alguns meios e abertura de furos de água, poderemos em pouco tempo aumentar a produção agrícola nos cinco municípios da província e assim combater à fome “, acrescentou.

De salientar que nos pólos agrícolas são produzidas grandes quantidades de tomate, sobretudo, o da comuna da Lucira, no município de Moçamedes, onde diariamente mais de vinte carrinhas de marca “ Canter”, transportam cada uma 50 caixas para algumas províncias como, Luanda, Uíge, Benguela, Huíla, Cunene, Malange e Huambo, este produto que é comercializado ao preço de 22 mil kwanzas cada uma.

Os outros municípios, a produção está virada para os cereais como, o milho, massango, massambala e hortícolas que para além de servir para o consumo das famílias também tem servido uma parte para a comercialização, dando assim a oportunidade destas criarem o seu próprio rendimento financeiro para se auto-sustentar.

Importa sublinhar que neste programa de desenvolvimento dos pólos agrícolas estão inseridas mais de vinte mil famílias camponesas, associadas em cooperativas que desde 2014 na altura da sua implementação foram recebendo do governo a custo zero meios como, tractores, carrinhas, sementes, fertilizantes, motobombas, mangueiras, entre outros que tem ajudado no desenvolvimento desta actividade do campo.