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Suinicultores portugueses pretendem ajudar criadores angolanos

11 Outubro de 2018 | 18h51 - Economia

Benguela - O presidente da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores, Victor Menino, garantiu nesta quinta-feira, em Benguela, a disponibilidade da instituição que dirige receber em terras lusas jovens angolanos interessados na formação prática de criação de suínos.

  • Imunização de suínos (arquivo)

O responsável fez esta afirmação durante a sua intervenção no I Fórum Provincial de Suinicultura, realizado hoje, numa promoção do grupo empresarial Adérito Areias em parceria com a referida federação portuguesa.

Victor Menino afirmou que, além da formação prática a ser ministrada em escolas portuguesas e pela própria federação, essa também se predispõe em ajudar Angola na montagem de estruturas de produção e de comercialização de suínos.

“Angola tem tudo para criar porcos e dar certo, tendo em conta as potencialidades naturais, nomeadamente os cursos hídricos, a possibilidade de cultivo de cereais e a disponibilidade e interesse das suas gentes”, disse.

O especialista referiu que a produção de porcos assenta em cinco pilares, designadamente, o manuseio (inclui instalações, condições fitossanitárias e pessoal com conhecimento técnico), alimentação, genética, saúde e gestão.

Neste âmbito, acrescentou, torna-se necessário que se crie no local condições para que as pessoas produzam cereais em escala suficiente para atender as necessidades diárias dos criadores, além de se assegurar uma base genética sustentável que esteja ao alcance de todos os criadores.

“Hoje, transportar genética não precisa de camiões, podendo 10 gramas servir para fazer a melhoria de centenas de milhares de animais e, para tal, é preciso que haja no país uma exploração que crie reprodutoras e centros de inseminação artificial, capazes de beneficiar até o pequeno produtor, ajudando-os a produzir melhor”, frisou o presidente.   

Victor Menino, que se faz acompanhar de outros três membros da federação, deu a conhecer que juntos representam uma produção de 50 mil porcos gordos por semana e um total de 10 milhões e 500 mil suínos em conjunto com outros associados.

O suinicultor enfatizou que há 30 anos, Portugal precisava da mesma ajuda que eles se predispõem a dar actualmente à Angola e tinha uma produção de suínos muito aquém da actual.

Em termos de números, indicou que em média em Portugal uma porca pode gerar 28 porcos/ano, mas que o vencedor do prémio “Porco de ouro” deste ano conseguiu um recorde de produção de 37 suínos numa só porca.

Enquanto isso, Henrique Gime, director nacional do programa de suinicultura do ministério da Agricultura e Florestas de Angola, disse que o país conta com um efectivo suíno calculado em dois milhões 996 mil e 289 suínos, que representa um valor económico avaliado em 89 mil milhões, 888 milhões e 670 mil kwanzas.

Neste momento, indicou Henriques Gime, o país produz cerca de 26 mil toneladas de carne suína/ano, contra uma necessidade de consumo de 80 mil toneladas, o que deixa uma margem de mais de 50 mil toneladas de défice.

Isso, descreveu, deve-se ao facto da produção nacional ser pouco significativa, sendo actualmente assegurada em pequena escala, maioritariamente, pela criação familiar, principalmente junto das regiões produtoras de milho em regime extensivo, com todas as implicações do ponto de vista sanitário.

Informou que, no período de 2018 a 2022, o país espera obter um aumento de 27.480 toneladas, para cobrir uma necessidade real de 86.552 toneladas.

Por seu lado, o coordenador do projecto de suinicultura do grupo Adérito Areias, Ekumbi David, indicou que a ideia, apesar de começar por Benguela, poderá estender-se para as demais províncias, no quadro da política de combate à fome e promoção da renda familiar.

Indicou que, devido à insignificante produção interna de suínos, socorrendo-se a dados do Ministério da Agricultura, o Executivo gastou em 2015, 163 milhões de dólares norte-americanos, baixando para 69 milhões em 2016.

Porém, acrescentou, o consumo de carne importada voltou a subir o gráfico para 98 milhões de dólares, em 2017, tendência que se quer inverter com a criação de condições localmente, através da instalação de uma cadeia de valores, criando-se renda.

Informou que o projecto está a identificar os principais problemas das famílias camponesas nos diversos municípios, os constrangimentos atinentes a fraca produtividade, entre outros, visando incrementar o cultivo do milho, soja e girassol, que permitam a obtenção de uma ração ideal, com apoio técnico da “Mec-Agro”, empresa privada de mecanização agrícola já constituída.

Já o governador em exercício de Benguela, Leopoldo Muhongo, enalteceu a iniciativa dos organizadores do fórum, desejando que o projecto seja um êxito para o bem dos pequenos criadores familiares e dos grandes criadores.

O empresário Octávio Pinto, participante do fórum, disse possuir 300 suínos, na região da Talamajamba, 30 quilómetros a sul da cidade de Benguela, mas que prevê atingir as mil cabeças a curto prazo e prosseguir com essa actividade.

Apontou a necessidade da criação, o mais urgente possível, de fábricas de ração porque, do seu ponto de vista, nas condições actuais, produzir em grande escala é bastante difícil.

Para si, é necessário haver fiscalização, principalmente nos financiamentos de quem investe na agricultura, porque estes estão muito caros e inibem a iniciativa privada.

Parabenizou a iniciativa do grupo Adérito Areias que levou à Benguela a Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores, que garantiu a formação de criadores angolanos em terras portuguesas, particularmente grupos e associações juvenis que desejam enveredar neste ramo. 

O Fórum Provincial sobre Suinicultura contou com a participação, além da delegação portuguesa, de criadores de suínos provenientes de vários municípios da província.