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Benguela prevê duplicar produção agrícola na época 2018/2019

10 Outubro de 2018 | 13h28 - Economia

Benguela - A província de Benguela prevê atingir uma colheita global de 756 mil e 426 toneladas de produtos diversos na campanha agrícola 2018/2019, contra as 321 mil e 744 toneladas registadas na campanha agrícola 2017/18, afirmou hoje, o director do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, José da Silva.

  • Campo agrícola (arquivo)

Segundo o responsável, que falava à Angop, na cidade de Benguela, na antecâmara da próxima época agrícola, a ser aberta ainda este mês de Outubro, para o efeito, estão a ser preparadas 256 mil e 383 hectares de terras aráveis com o envolvimento de 108 mil e 750 famílias camponesas.

José da Silva adiantou que, para viabilizar o êxito da campanha em vista, o sector vai disponibilizar insumos agrícolas, nomeadamente 600 toneladas de sementes de milho, 50 toneladas de feijão vulgar, meia tonelada de soja, 500 estacas de mandioqueira para cada família camponesa, 10 toneladas de massambala e a mesma quantidade de semente de massango.

Referiu que serão ainda distribuídas duas mil catanas, 500 enxadas europeias, mil limas, igual número de machados, três mil pás, duas mil charruas de tracção animal e 30 pulverizadores.

Tendo em conta as condições naturais dos solos, explicou, o Instituto de Desenvolvimento Agrário, órgão técnico afecto ao sector, vai colocar à disposição dos agricultores cinco mil toneladas de fertilizante 12-24-12, 500 toneladas de ureia e 600 toneladas de sulfato de amónio.

O director frisou ainda que a produção de milho vai ocupar uma área de 141 mil e 11 hectares, ao passo que a de feijão 30 mil e 766 hectares, hortícolas diversas ocupam 28 mil e 202 hectares, o Sorgo, amendoim, batata-doce, ananás e mandioca seguem-se com espaços de pouco mais de 15, 12, 10 e cinco hectares por plantações de famílias camponesas.

O director destacou que além de fertilizantes, o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) vai fazer a correcção dos solos com a aplicação de 575,3 toneladas de calcário em 571 hectares no município do Cubal, 332,1 toneladas do mesmo produto em 400 hectares de terras por lavrar na Ganda, 86,2 toneladas no município de Chongoroi e  45,6 no Caimbambo, respectivamente.

Visivelmente satisfeito com a disponibilidade dos insumos agrícolas, disse que, apesar da agricultura na província ser de “sequeiro”, ou seja, dependente maioritariamente da regularidade ou não do ciclo de chuvas, as actuais provisões logísticas que apontam para mil e 39,2 toneladas de calcário destinadas à correcção de mais de mil hectares animam as autoridades do ramo, apesar de ainda insuficientes.

Por outro lado, informou que dos 256 mil e 383 hectares que vão ser acompanhados pelos técnicos do sector, 155.406 hectares serão preparados por tracção animal, 94.188 outros por preparação manual e seis mil e 889 por mecanização agrícola.    

Quanto à produção de tomate, produto com o qual a província tem marca registada no país, mas que tem sido fustigada nos últimos três anos por pragas denominadas “Tuta Lagarta” e “Mosca da fruta”, aquele responsável revelou que nos últimos meses (cacimbo) a zona litoral de Benguela atingiu uma produção de mais duas mil caixas do produto por hectare. Contudo, disse que ao contrário do que alguns agricultores pensam, as pragas continuam.

“Os nossos agricultores não cooperam suficientemente com os técnicos do sector, porque não acatam as indicações do fórum fitossanitário que lhes são exigidas”, retorquiu, insistindo que grande parte dos agrotóxicos aplicados nos campos é de qualidade duvidosa, o que aguça a resistência das pragas.

Sem especificar, disse que, em termos de números, a produção de tomate nos primeiros noves meses do ano está incluída na produção agrícola geral da campanha 2017/18, que termina ainda este mês, cujos números atingiram as 320 mil toneladas de produtos diversos.  

Enquanto isso, o presidente da União das Associações de Camponeses (UNACA) em Benguela, João Francisco Januário, lamentou a existência de uma única brigada de mecanização agrícola na província, que considera incapaz de dar resposta à demanda de solicitações dos dez municípios.

Todavia, elogiou os esforços dos responsáveis do  sector que estão em contacto com os empresários do ramo, detentores de tractores, com vista a auxiliarem outros agricultores desprovidos de equipamentos, tendo em conta a necessidade da elevação dos níveis de produção por cada família camponesa.

Numa outra vertente, salientou que as 373 associações que agrupam mais de 30 mil associados são mobilizadas pela união dos camponeses, porque são filiados da UNACA.

“Estas famílias trabalham connosco, porque são nossos associados, daí que seja mais fácil tanto a distribuição dos imputes, bem como a transmissão de orientações baixadas pelos técnicos do ramo”, frisou, antes de corroborar que desde a última campanha agrícola que os insumos fornecidos pelo Estado saem a preços que satisfazem até as famílias mais pobres.  

A província de Benguela conta com 163 cooperativas agrícolas, integradas por 18 mil e 105 membros e 373 associações de camponeses agrupados por 36 mil 406 associados que garantem o abastecimento dos principais mercados de consumo.