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Agricultura familiar deve ser especializada

15 Maio de 2018 | 15h22 - Economia

Luanda - O sector agrícola familiar necessita de apoio especializado que inclui o uso adequado dos solos e a prática de irrigação, para cumprir com êxito o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), que prevê um crescimento de 5.8 porcento até ano 2022.

  • Economista, Afonso Chipepe

Este  apoio passa  também  pela assistência técnica  que inclui o uso  adequado  de  sementes, fertilizantes  e  combate às pragas,  considerou  em  Luanda o economista  Afonso  Chipepe  em declarações  à  Angop.

Para o economista ,  o  apetrechamento  dos  serviços a nível das regiões  rurais agrícolas,  estruturando  as  potencialidades de acordo com as características de produção local,  com o foco na especialização de cada produto por região,  pode ser a chave indicativa de progressão.

Ao fazer uma apreciação sobre o sector  agrícola, um dos principais impulsionadores para diversificar a economia nacional,  Afonso Chipepe  destacou o  facto  da  agricultura singular  ser  responsável  por  95  porcento das áreas  de cultivo  e de mais de 90 porcento da produção.

A este, junta-se  o facto  de mais de  63 porcento  das  áreas  utilizadas pelos agricultores singulares  serem  empregues tecnologias  rudimentares (enxadas,  catanas e charruas )  o que  não aporta  grandes volumes de produção do ponto de vista de qualidade e  experiencial para exportação, sublinhou.

Por isso,  considera  que o sector agrícola requer  fundos  sérios  e avultados e que  os decisores  políticos  devem  ter em  vista que a diversificação  passa  pela agricultura.

Daí, sublinha ser imperioso  a criação de um fundo  agrícola ou banco agrícola que contemple os  riscos adjacentes  aos períodos  de seca , pragas  e outros  que o homem não consegue evitar.

Por outro lado,  sublinhou  que  enquanto  persistirem  os problemas das  vias estruturantes,  o país vai continuar a assistir a problemas  de  grande volume de produção em determinadas  áreas  com dificuldade de escoamento para as cidades.

Na sua opinião,  as reformas  programadas  pelo Executivo para  se atingir a cifra de 5.8 porcento,  devem ser encorajadoras , acima  do “gradualismo” que se invoca actualmente , para o alcance imediato dos resultados macroeconómicos,  ajustados à politica cambial  e ao controlo da inflação.

Lembrou que nos últimos 10  anos o sector agrícola era cabimentado uma verba insignificante,  apesar de ser considerada  uma área de criação de inúmeros postos de trabalho e de excedentes.

O economista  defende que o  Governo deve tomar algumas medidas "pesadas",  mas necessárias, no contexto actual,  para mudar o figurino da expectativa  que se criou em volta do PND,  cujas premissas  de estabilidade  macro e microeconómicas  devem evidenciar um clima de aumento do crescimento económico,  novos postos de trabalhos  assim como evitar o excessivo aumento de impostos.

Entre  2002 e 2016, referiu,  em média 51 porcento das pessoas  empregadas  estava ligada ao  sector agrícola.

O Plano Nacional do  Desenvolvimento  está consubstanciado  no controlo e melhoria da eficiência da despesa pública,  o crescimento e aumento das receitas tributarias (taxa), permitindo deste modo a solidez  da política monetária cambial do banco central.

O Orçamento  Geral do  Estado (OGE) de 2018 contempla  para o sector agrícola 29 mil milhões de kwanzas, aproximadamente cerca de 170 milhões de dólares  norte-americanos que representa  0,3 porcento do total das despesas de desenvolvimento do sector.