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Empresas russas entram no negócio de fertilizantes

14 Novembro de 2017 | 17h36 - Economia

Luanda - O mercado de fertilizantes vai contar, nos próximos tempos, com concorrência de duas empresas da Federação Russa, que vão fornecer adubos simples e compostos a preços acessíveis aos produtores, visando aumentar a oferta de insumos agrícolas e minimizar os custos de produção em Angola.

  • Aumento de fertilizantes contribui na redução dos preços
  • Campos agrícolas necessitam de sementes melhoradas e fertilizantes

Trata-se das empresas "Uralkali" (líder mundial da indústria de Cloreto de Potássio) e a empresa "Uralchem", segundo maior produtor mundial de amónio, que mostraram-se disponíveis e interessados a fornecerem estes fertilizantes, indispensáveis à produção agrícola ao mercado angolano.

O fornecimento dos fertilizantes vai depender grandemente da negociação que existir entre os importadores/produtores e os fornecedores de adubos.

Para a concretização deste objectivo, o Ministério da Agricultura e Florestas (MINAF) juntou nesta terça-feira, em Luanda, os empresários e operadores do sector agrícola de Angola e da República da Federação Russa para troca de experiências e negociar o processo de aquisição de insumos agrícolas.

Na ocasião, o director da Unidade Técnica para o Apoio ao Investimento Privado (UTAIP) do MINAF, António Sozinho, disse que o encontro entre os empresários enquadra-se na estratégia traçado pelo Executivo angolano, que visa aumentar a oferta de insumos e baixar cada vez mais os preços praticados actualmente no mercado nacional.

Na sequência dessa estratégia, reiterou, o Governo tem facilitado o contacto e as negociações com os principais países produtores de fertilizantes de modo que os importadores adquiram directamente essa matéria-prima dos fornecedores a preços acessíveis, sem passar por nenhum intermediário.

"Trouxemos essas grandes empresas por serem as líderes na produção dos adubos simples (Cloreto de Potássio e o Amónio), que vão ajudar a alavancar a produtividade nacional", referiu.

Recordou que a estratégia adoptada pelo Executivo angolano trouxe resultados satisfatórios na minimização de custos e facilidade de obtenção dos fertilizantes.

A título de exemplo, em 2016 Angola importou cerca de 112 mil toneladas de fertilizantes, que custou aos cofres do Estado aproximadamente 103 milhões de dólares norte-americanos, mas na presente campanha agrícola o Governo gastou pelo menos USD 85 milhões para adquirir 150 mil toneladas, de acordo com o director da UTAIP.  

Avançou que o MINAF continua a trabalhara na criação de condições para que nos próximos dois ou três anos os produtores destes fertilizantes, em parceria com os empresários angolanos, possam instalar as primeiras fábricas de mistura de adubos, deixando de importar estes produtos.

Explicou que há cerca de 10 anos o país tinha apenas cinco importadores de fertilizantes no mercado nacional, mas com a situação conjuntural que o país atravessa o sector registou pelo menos mais de 45 empresas importadores. Perante esta situação menos favorável ao sector, o Executivo teve que traçar uma estratégia que corresponde com os interesses da nação, pondo alguma regra neste segmento, concluiu.

Por outro lado, o empresário António Faceira defendeu a necessidade de se aumentar o número de importador no mercado nacional, tendo em conta a especificidade dos solos e a variedade da produção de cada agricultor.

Para João Macedo, administrador da empresa Novagrolider, é necessário que haja mais agentes importadores para que os preços diminuam cada vez mais no mercado.

Durante o encontro, que juntou empresários angolanos e russos, foi também debatida a questão da obtenção dos fertilizantes por meio de uma linha de crédito entre os operadores.