Angop - Agência de Notícias Angola Press

Kwanza Sul - um nome derivado da divisão do distrito colonial do Kwanza

31 Maio de 2013 | 09h22 - Economia

Sector Produtivo

Cela, Waku Kungo – Por se situar a sul do maior rio de  Angola – o Kwanza, uma portaria de 15 de Setembro de 1917 formalizou o  nome de uma das mais ricas e promissoras regiões do país, a província do  Kwanza Sul, desmembrando-a do antigo distrito do Kwanza, circunscrição que englobava as actuais províncias do Kwanza Norte e do Kwanza Sul.

A portaria 3565 criou há 96 anos a província do Kwanza Sul, a maior  produtora de café do país em 1973. Essa posição, alcançada em época  colonial, pode ser retomada tendo em conta as suas potencialidades, em  termos de extensão de terras aráveis, clima e hidrografia.

Além do café, uma cultura que está a retomar o seu espaço na região, com  a implementação de novos projectos cafeícolas, Kwanza Sul tem uma  altitude e um clima tropical seco favorável à agricultura e à agro-pecuária. 

Os principais recursos minerais são o gesso, mica, cobre, calcário,  quartzo, asfalto, diamantes, ouro, enquanto na agricultura a província é uma  grande produçtora de milho, mandioca, café, algodão, amendoim, batata  rena e doce, abacate, ananás, citrinos, goiaba, maracujá, manga, dendém,  soja, tabaco, sisal e hortícolas.

Devido às suas potencialidades, actualmente a província está a apostar em  investimentos nos sectores agro-pecuários e industrial, e pretende atrair  empreendedores para explorar os diversos recursos e desenvolve-los.

A par das potencialidades nos sectores da agricultura, minas e indústria, a  província tem várias atracções turísticas, com destaque para as  Cachoeiras do Binga, a foz do rio Keve, as praias do Porto Amboim, as  águas termais de Tocote, a Katanda, o Porto do Conde - uma região que  servia de travessia, na época colonial, entre os povos do Sul e os do Norte 

de Angola, sobretudo aqueles que eram contratados para trabalhar em  áreas diamantíferas. 

A maior parte da população que habita a região do Kwanza Sul proveio do  Norte de Angola, sobretudo da província de Malanje.

A província é rica em hábitos e costumes. A população alimenta-se  fundamentalmente de funje de milho e de bombó, batata-doce e rena, peixe  e carnes. Por ocasião de uma boa safra ou de morte de um membro  proeminente da comunidade, as pessoas cantam e dançam. O cangondó, o  olundongo, o Onhaco e a catita são algumas danças que caracterizam a  região. 

Para muitos habitantes, a região tem todas as condições para progredir  mas carece, dentre outras coisas, de novas estradas que ligam o centro  das cidades aos municípios e comunas.

Segundo Palmira Matos, uma mulher de cerca 50 anos, natural do município  de Cassongue, a sua circunscrição é atravessada por muitos rios, tem  várias nascentes e as terras são aráveis e esverdeadas durante todo ano.

A entrevistada disse à Angop que é através da riqueza produzida no seu  município que o governo colonial construiu a cidade de Waku Kungo,  situado no município da Cela. 

Disse também que há produção na sua zona que não é escoada por falta  de bons acessos.

Informou que Cassongue dispõe de condições para agricultura, agro-pecuária, produção de leite e tem condições para a produção de água  mineral proveniente quer de pedras quer do solo.

Por sua vez, Joaquim Pedro, funcionário público, disse acreditar que  Kwanza Sul venha a tomar uma posição de destaque no contexto das  províncias do país, mas para tal, salientou a necessidade aposta séria dos  investidores. 

Sobre as riquezas, o interlocutor realçou a existência de diamantes, no  município do Mussende, o quartzo e o ouro, na Conda, e o gesso, no  Sumbe.

Referindo-se ao fórum empresarial do sector produtivo e empresarial e  produtivo, que acontece a partir de hoje na província, Joaquim Pedro  considerou uma boa oportunidade para se apresentar as potencialidades  da província e atrair investimentos, para criar emprego e desenvolver a  região.

Desde a independência de Angola em 1975, até a presente data, cinco  comissários e igual número de governadores provinciais administraram a  província, sendo Gaspar da Conceição, Paulo de Castro, Armando  Fernando Mundende, Francisco José Ramos da Cruz e Aurélio Segunda,  que encerrou a fase dos comissários, mas sendo reconduzido como  governador da província. 

Na sequência, em 1992 Ramos da Cruz voltou a governar a província,  substituído depois por Higino Carneiro em 2001, este por Serafim do Prado  e actualmente por Eusébio de Brito Teixeira.