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Biólogo alerta para risco de extinção dos mangais do Nzeto

12 Outubro de 2017 | 15h30 - Ambiente

Nzeto - O biólogo Mateus Filho manifestou-se hoje (quinta-feira) preocupado com o risco de extinção dos mangais da zona costeira do muncípio do Nzeto, na província do Zaire, o que periga os ecossistemas terrestres e aquáticos locais.

  • Costa marítima da vila do Nzeto

Em declarações à Angop, o académico chamou atenção às autoridades competentes para que intervenham para salvar os poucos arbustos que sobraram na costa marítima local, cujo desaparecimento pode desencadear um desequilíbrio ambiental.

Mateus Filho lembrou que os mangais são a principal fonte de produção da matéria orgânica dissolvida no oceano e que serve de alimento às várias espécies marinhas, além de constituir habitat para muitas outras espécies de animais.

Destacou também a contribuição dos mangais na protecção do meio ambiente contra o efeito estufa, produzindo oxigénio de que dependem os seres vivos, assim como o seu papel na protecção da costa marítima contra a erosão.

A exploração desenfreada desta espécie para a produção do carvão vegetal e construção de residências, por alguns habitantes locais, está a contribuir na sua destruição, segundo ainda o biólogo, que aponta a acção de sensibilização da população como uma das soluções para se inverter o quadro actual.

"Aliada a esta situação está também o facto de a água das salinas (desaproveitadas) estar a invadir o perímetro dos mangais, tornando o solo estéril e resultando na seca dos arbustos, acrescentou.

Regularizar o curso de água doce para o principal matagal dos mangais existente na foz do rio Mbridge, com a desobstrução do canal que existia anteriormente neste local, foi igualmente apontada como uma das soluções para impedir o seu desaparecimento total.

Entretanto, o chefe de departamento provincial do  ambiente, Manuel António Salvador, disse que os mangais são uma espécie protegida por lei,  estando, por isso, controlado  o quadro da sua preservação a nível da  região, apesar de alguns factores de risco.

Revelou que o Zaire é a região com a maior densidade de mangais, sobretudo, nos municípios do Soyo e Nzeto, onde o seu sector concentra a maior parte das acções de monitorização dos aspectos atinentes à sua preservação.

"Os indicadores são sustentáveis, não há ainda perigo nenhum, estando o sector do ambiente a trabalhar na definição de uma zona de conservação e protecção destes arbustos, de modo a travar a sua destruição acelerada em função da pressão antrópica exercida sobre esta espécie", acrescentou

Explicou que esta pressão é ainda maior no município do Soyo, onde os mangais povoam os canais fluviais que circundam a cidade, motivo pelo qual a acção de sensibilização e monitorização tem estado a incidir mais sobre esta localidade.